Caprioli – desenhador humorístico

Uma das facetas menos conhecidas de Franco Caprioli, enquanto autor de “fumetti” (BD em italiano), é a de desenhador humorístico, género que cultivou, sobretudo nos anos 1940, em revistas destinadas ao público infantil e que tiveram vida efémera.

Nessa época, era visível o cunho ainda experimental do estilo de Caprioli, que procurava conciliar a fidelidade à “linha clara” com o uso, cada vez mais frequente, do “pontilhado” e a demarcação mais rigorosa das zonas de luz e sombra, num processo diferente das suas primeiras histórias, pois trabalhava também, agora, para a cor.

Os excertos que seguidamente divulgamos de duas histórias infantis, de estilo caricatural, são, porém, a preto e branco, com uma nítida influência da “linha clara” que Caprioli posteriormente abandonou.

Estas duas primeiras tiras, cheias de movimento e de expressividade, em que Caprioli já fazia uso de onomatopeias (as estrelas da 2ª tira), pertencem a uma história inédita destinada ao jornal “L’Ometto Pic”.

As três tiras seguintes também não foram publicadas, mas destinavam-se provavelmente à mesma revista, onde saiu, em 1945, uma história muito semelhante com o título  “L’incantesimo dell’orco Barbalà”.

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Fotos de família e desenhos – 4

Mais quatro páginas extraídas do e-book editado em Agosto de 2012 pelo GICAV de Viseu, aquando de uma memorável exposição comemorativa do centenário do nascimento de Franco Caprioli (1912-1974), que esteve também patente em Moura, em Junho desse mesmo ano, organizada pela Câmara Municipal daquela cidade.

As fotos aqui divulgadas abarcam um período de 60 anos, mostrando o artista na infância e na juventude, com alguns dos seus colegas, no seu estúdio, em Mompeo, e no seio da família, com a esposa e os dois filhos, Fabrizio e Fulvia (à qual devemos a sua publicação).

Fabrizio, que faleceu prematuramente, seguiu as pisadas artísticas do pai, dedicando-se também, com um estilo próprio, à pintura e à banda desenhada. Fulvia é pintora e escritora, interessando-se especialmente pela preservação da memória e da obra primorosa do seu pai.

Em breve, publicaremos alguns apontamentos sobre os herdeiros de Caprioli, extraídos do mesmo e-book.

Fotos de família e desenhos – 3

Mais quatro páginas extraídas do e-book editado em Agosto de 2012 pelo GICAV de Viseu, aquando de uma memorável exposição comemorativa do centenário do nascimento de Franco Caprioli (1912-1974), que esteve também patente em Moura, em Junho desse mesmo ano, organizada pela Câmara Municipal daquela cidade.

Estas raras fotos abarcam um longo período de 30 anos, mostrando o artista no seio da família, com a esposa e os dois filhos, Fabrizio e Fulvia (à qual devemos a sua publicação). Fabrizio, que faleceu prematuramente, seguiu as pisadas artísticas do pai, dedicando-se também, com um estilo próprio, à pintura e à banda desenhada.

Fotos de família e desenhos – 2

Mais cinco páginas extraídas do e-book editado em Agosto de 2012 pelo GICAV de Viseu, aquando de uma memorável exposição comemorativa do centenário do nascimento de Franco Caprioli (1912-1974), que esteve também patente em Moura, em Junho desse mesmo ano, organizada pela Câmara Municipal daquela cidade.

Como curiosidade, aponte-se a perfeição de retratista de Caprioli, num estilo semi-caricatural de que estes exemplos estão recheados e que contrasta, singularmente, com a via mais realista que escolheu, desde os anos 30, para os seus trabalhos como ilustrador, sobretudo na área dos fumetti, isto é, das histórias aos quadradinhos. 

Fotos de família e desenhos – 1

Páginas extraídas do e-book editado em Agosto de 2012 pelo GICAV de Viseu, aquando de uma exposição comemorativa do centenário do nascimento de Franco Caprioli (1912-1974), que esteve também patente em Moura, em Junho desse mesmo ano, organizada pela Câmara Municipal daquela cidade.

Chamamos a atenção, muito especialmente, para as últimas fotos da página 5, que retratam o encontro de Franco Caprioli com outro mestre italiano, o prolífico argumentista Gian Luigi Bonelli, criador (em 1948) da mítica personagem Tex Willer e pai do famoso editor Sergio Bonelli. Nas fotos figura também a sua esposa, a editora Tea Bonelli.

Caprioli colaborou com ambos nas histórias La Perla Nera (A Pérola Negra) e La Valle Sfolgorante (O Vale Brilhante), escritas por Gian Luigi Bonelli e publicadas na revista Audace, de Tea Bonelli, nºs 252-268 e 269-285 (1938-1939).

O estúdio de Caprioli – 2

Vista que se desfruta do estúdio de Caprioli, em Mompeo

Trabalhador incansável, Caprioli era o paradigma do artista que vivia intensamente a sua profissão, dedicando-lhe mais tempo do que à própria família.

“Morreu enquanto desenhava”, contou-nos sua filha Fulvia, que partilhou com ele a existência durante quase 22 anos, a maior parte do tempo na mansão familiar de Mompeo, uma frondosa região campestre, a 70 kms de Roma, onde Caprioli também tinha residência, por isso lhe facilitar o contacto com os seus editores.

Da janela do seu estúdio, em Mompeo, amorosamente conservado pela filha, desfruta-se ainda um belo panorama (como atesta a imagem supra), e não é exagero imaginar a inspiração que Caprioli colheu, durante o seu incessante labor artístico, ao olhar por essa janela.

Aspecto actual do estúdio de Caprioli

Habituado a uma vida simples e sedentária de pequeno proprietário rural, que herdara da família aquele rústico solar, com os seus terrenos adjacentes onde brotava exuberante vegetação — mal cuidada por um artista que amava a natureza, mas não lhe dedicava tanta atenção como aos seus trabalhos, deixando-a crescer livremente —, Caprioli estendeu essa modéstia e sobriedade aos seus próprios hábitos profissionais, a começar pelos instrumentos que utilizava – como uma velha prancheta de desenho, com manchas de tinta, que gostava de pousar sobre os joelhos – até ao espartano mobiliário do seu estúdio, que, à primeira vista, parecia quase vazio.

Mas foi nele que viveu, trabalhou e produziu algumas das suas maiores obras- -primas, durante os anos mais férteis de uma longa carreira dedicada, com verdadeira paixão, àqueles que também faziam parte da sua família: os seus jovens leitores do Il Vittorioso, do Topolino, do Giornalino e de tantas outras revistas, incluindo o nosso Cavaleiro Andante.

Morreu da forma que certamente mais desejava, num dia de Inverno de 1974, imerso no seu mundo de fantasia e sempre agarrado aos seus cigarros ou ao seu cachimbo – quando o coração que tantas emoções vivera no ardente cadinho do Sonho, do Romantismo, da História e da Aventura, deixou subitamente de bater.

A régua, outro instrumento de trabalho de Caprioli

O Presépio na arte de Caprioli

Esta rústica imagem natalícia de Caprioli, com um magnífico trabalho de claro-escuro — gentilmente enviada por sua filha Fulvia, a maior divulgadora da obra do grande mestre italiano —, foi extraída de um livro intitulado “Il Cammino della Civiltá” (“O Caminho da Civilização”), com texto de Mimi Menicucci e publicado pelo editor Capriotti no longínquo ano de 1948.

Caprioli tinha um carinho especial pela quadra mais festiva do ano e pelas imagens do Presépio, impregnadas de encanto e de magia, como as suas próprias histórias, profundamente poéticas e humanistas — que, tal como a recordação de muitos Natais passados, nunca se apagarão também da nossa memória…

Inédita em revistas e blogues portugueses, esta ilustração serve de mote ao nosso “cartão” digital com votos de BOAS FESTAS e FELIZ ANO NOVO para todos quantos continuam a admirar a beleza e a arte da obra incomparável de Franco Caprioli.

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