No centenário do desenhador poeta – 5

mompeo-ri-1938Apresentamos hoje as páginas 30-39 de um trabalho publicado em 2012, no âmbito da exposição comemorativa do centenário do famoso Mestre italiano (1912-1974), que esteve patente em Junho (Moura) e em Agosto (Viseu) desse mesmo ano, numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Moura e do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu).

Tanto o fanzine como o e-book editados respectivamente pela CMM e pelo GICAV, ambos recheados de imagens das histórias originais de Caprioli, fotos de família e outros documentos raros e inéditos, estão hoje praticamente esgotados, pelo que decidimos publicar neste blogue a sua primeira parte, extraída directamente do e-book, que contém, nas últimas páginas, a seguir reproduzidas, algumas alterações (incluindo novas e excelentes imagens).

O texto e a coordenação, tanto do fanzine como do e-book, pertencem a Jorge Magalhães e o arranjo gráfico a Catherine Labey, com o apoio de Carlos Rico (um dos comissários da exposição inaugurada em Moura) e de Fulvia Caprioli, filha dilecta do saudoso Mestre.

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Caprioli e a censura em Portugal – 1

Publicada em Itália em 1947/48, na revista Topolino, e em Portugal no Álbum do Cavaleiro Andante nº 43 (Dezembro de 1957), a história “O Tigre de Samatra”, uma grande aventura recheada de cenários exóticos e de belas mulheres, cujas peripécias bélicas destoam do pacifismo latente em muitas histórias de Caprioli, sofreu também os efeitos da censura que reinava, nos anos 1950, sobre todas as publicações destinadas à juventude portuguesa.

Uma terna cena amorosa entre dois personagens (nos quais Caprioli se retratou a si próprio e à sua jovem mulher Francesca), que não levantou problemas, como o resto da história, na redacção do Topolino — e note-se que a Itália acabava de sair de uma guerra e de um regime fascista que deixara marcas profundas em toda a sociedade —, foi substituída no Álbum do Cavaleiro Andante por um “cartucho” com texto (de um romantismo pueril, em contraste com a naturalidade e o humor dos diálogos de Caprioli), produzindo um hiato nos desenhos que até os leitores mais ingénuos devem ter achado estranho.

Em contrapartida, cenas de grande violência, como aquela em que o “Tigre de Samatra” chicoteia brutalmente um prisioneiro, golpeando-o no rosto, passaram impunemente pelo crivo da censura. A violência era tolerada, o amor não!

Há ainda mais exemplos de imagens censuradas na 2ª parte desta história, com o título original La Tigre di Sumatra, onde continua a violenta luta entre duas poderosas seitas asiáticas: os “Valetes de Espadas” (I Fanti di Picche), chefiados por um bizarro encapuçado, de seu nome Ta-La-Ta, e os “Dragões Verdes”, em cujas hostes actuam o cruel “Tigre” e a traiçoeira espia Samada.

Para muitos admiradores de Caprioli, “O Tigre de Samatra” é uma espécie de fait-divers na sua obra, pois alia uma elevada percentagem de erotismo, expressa na forma sensual como o grande artista italiano retratou as figuras femininas, como se estivesse a trabalhar para um público mais adulto — o que despertou obviamente o zelo da nossa censura —, a uma trepidante acção que parece inspirada nos serials, os populares filmes de aventuras em episódios exibidos em sessões contínuas, por vezes durante vários dias, obrigando os espectadores mais assíduos a uma autêntica maratona.

Aguardem o próximo post sobre este tema, ainda a propósito desta aventura, do seu enredo bélico (bem documentado na página supra) e dos efeitos da censura nalgumas (belas) imagens de Caprioli, retocadas por mãos inábeis para esconder pormenores pouco chocantes, como decotes e saias curtas!

No centenário do desenhador poeta – 4

Caprioli (auto-retrato)Apresentamos hoje as páginas 25-29 de um trabalho publicado em 2012 pela Câmara Municipal de Moura, no âmbito de uma exposição comemorativa do centenário do famoso Mestre italiano (1912-1974), que esteve também patente em Viseu, em Agosto desse mesmo ano, numa iniciativa conjunta do município de Moura e do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu).

Tanto o fanzine da CMM como o e-book editado pelo GICAV, recheados de imagens das histórias originais de Caprioli, fotos de família e outros documentos raros e inéditos, estão hoje praticamente esgotados, pelo que decidimos reproduzir neste blogue a sua 1ª parte, extraída directamente do e-book, que contém, na parte final, algumas alterações (incluindo novas e excelentes imagens.

O texto e a coordenação, tanto do fanzine como do e-book, pertencem a Jorge Magalhães e o arranjo gráfico a Catherine Labey, com o apoio de Carlos Rico (um dos comissários da exposição inaugurada em Moura) e de Fulvia Caprioli, filha dilecta do saudoso Mestre.

Por ser extensa e profusamente ilustrada, esta monografia foi dividida em várias partes, no nosso blogue, com a preocupação de não quebrar a unidade do todo. Em breve apresentaremos as últimas páginas.

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Histórias inglesas de Caprioli – 4

Os Argonautas (2ª parte)

caprioli-the-argonauts-2Desenhador versátil e especializado no género histórico, Caprioli foi um dos colaboradores preferidos de revistas como Ranger e Look and Learn, no período em que a sua actividade criativa se estendeu, por necessidade, ao fértil mercado inglês de publicações juvenis, representado principalmente pela editora Fleetway (actual IPC), sediada em Londres, cujos títulos de maior formato, como os dois citados (e ainda Treasure, Tell Me Why e World of Wonder), combinavam os temas lúdicos e culturais com uma série de relatos aventurosos, no mais puro estilo realista.

Foi no Look and Learn que surgiu, em 1970, uma magnífica versão da célebre lenda mitológica “Os Argonautas” (The Argonauts), ilustrada por Caprioli, que entre nós teve honras de publicação no Jornal do Cuto nº 112, de 24/9/1975. Apresentamos seguidamente a segunda parte desta história, com as últimas cinco páginas, extraídas da edição portuguesa, onde os primorosos desenhos de Caprioli tiveram reprodução condigna, embora num formato bastante menor do que aquele com que apareceram no Look and Learn.

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O Natal na arte de Caprioli

NATALVITTEsta magnífica página de Franco Caprioli, em que a harmonia artística se conjuga, de forma singular, com a candura evangélica das cenas celestiais — ilustrando um poema de Vittorio Emanuele Bravetta, intitulado La Stela e la Zampogna (A Estrela e a Gaita de Foles) —, foi realizada para o nº 52 (ano XII), 25 de Dezembro de 1948, do semanário de inspiração católica Il Vittorioso, onde o saudoso mestre italiano publicou algumas das suas mais celebradas obras-primas.

Segundo nos informou Fulvia Caprioli, filha dilecta do mestre admirável — que tem sido, nos últimos 20 anos, a maior divulgadora da sua obra —, Caprioli, ao desenhar a figura do anjinho que está em primeiro plano, junto do tocador de gaita de foles, serviu-se como modelo do seu filho Fabrizio, então ainda de tenra idade.

Com os nossos agradecimentos a Fulvia, aqui fica também um curioso apontamento sobre esta bela ilustração natalícia de um autor que nutria especial carinho pela festa da Sagrada Família e pela tradição franciscana do Presépio.

No centenário do desenhador poeta – 3

caprioli-e-a-sua-pranchetaApresentamos seguida- mente as páginas 16-24 de um trabalho com o título em epígrafe, publicado em 2012 pela Câmara Municipal de Moura, no âmbito de uma exposição organi- zada por Luiz Beira e Carlos Rico, come- morativa do centenário do famoso Mestre ita- liano (1912-1974), que esteve também patente em Viseu, em Agosto desse mesmo ano, por iniciativa do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu).

Tanto o fanzine de Moura como o e-book editado pelo GICAV, recheados de imagens das histórias originais de Caprioli, fotos de família e outros documentos raros e inéditos, estão hoje praticamente esgotados, pelo que decidimos reproduzir neste blogue a sua 1ª parte, extraída directamente do e-book, que contém, na parte final, algumas alterações (incluindo novas e excelentes imagens).

O texto e a coordenação, tanto do fanzine como do e-book, pertencem a Jorge Magalhães e o arranjo gráfico a Catherine Labey, com o apoio de Carlos Rico e Fulvia Caprioli, filha dilecta do saudoso Mestre.

Como o trabalho é extenso e profusamente ilustrado, dividimo-lo em várias partes, procurando, dentro do possível, não quebrar a unidade do todo. Em breve apresentaremos as páginas 25-29.

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Histórias inglesas de Caprioli – 3

Os Argonautas (1ª parte)

Já aqui referimos os títulos de várias narrativas, sobre os mais diversos temas, acontecimentos e figuras históricas, realizadas por Caprioli para revistas inglesas, no período em que a imprensa juvenil italiana, assolada por grave crise, o deixou praticamente sem trabalho. Forçado a procurar outras fontes de rendimento, sem pôr de lado a banda desenhada, Caprioli juntou-se ao estúdio de Alberto Giolitti, que começara a fornecer aos editores ingleses histórias realizadas, sob encomenda, pelos melhores artistas italianos desse tempo.

Desenhador versátil, mas especia- lizado no género histórico, Caprioli foi naturalmente um dos colabora- dores preferidos de revistas como Ranger e Look and Learn, onde os temas didácticos e culturais se combinavam, em perfeita aliança, com uma lúdica série de relatos aventurosos, no mais puro estilo realista (entre os quais avulta a fantástica série de culto The Trigan Empire, magistralmente desenhada por Don Lawrence).

Foi no Look and Learn que surgiu, em 1970, uma magnífica versão de outra célebre lenda mitológica, The Argonauts (Os Argonautas), que entre nós teve honras de publicação no Jornal do Cuto nº 112, de 24/9/1975. Apresentamos seguidamente a primeira parte dessa história, com cinco páginas, extraídas da citada revista, onde os primorosos desenhos de Caprioli tiveram reprodução condigna, embora num formato bastante menor do que aquele com que apareceram no Look and Learn.

Talvez devido ao rígido anonimato que os editores ingleses impunham aos seus colaboradores, mesmo aos estrangeiros, o trabalho de Caprioli só muito tardiamente foi reconhecido e valorizado, como era justo, num meio onde os comics, isto é, as histórias de BD, embora estivessem em franca expansão, ainda eram consideradas uma modalidade artística subalterna, para consumo juvenil, ao contrário do que, nos anos 60, já acontecia noutros países europeus.

(Nota: para ver/ler estas magníficas páginas de Caprioli em toda a sua extensão, clicar duas vezes sobre as imagens).

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