Caprioli no Vitt & Dintorni

Por gentileza de Fulvia Caprioli, filha do grande Mestre Franco Caprioli, a quem este blogue presta, onomasticamente, especial homenagem, possuímos nos nossos arquivos o nº 22 (Abril de 2013) da excelente revista Vitt & Dintorni, órgão informativo da Associazione Amici de Il Vittorioso.

vitt-capa copyRecheado de artigos e ilustrações — entre os quais destacamos, no presente número, o de Fulvia Caprioli, com o título “Franco Caprioli illustratore”, dedicado à obra vasta mas ainda imperfeitamente conhecida de seu pai, na faceta de ilustrador de livros, revistas e publicações várias —, este magazine assumiu a herança do InformaVitt, o magní- fico boletim com que a Associazione Amici de Il Vittorioso, criada em 1988, manteve um intercâmbio longo e frutuoso com os seus associados, depois de um primeiro e mais modesto projecto editorial intitulado Nostal Vitt, que durou poucos números mas lançou as bases das iniciativas futuras.

Nesta edição de Vitt & Dintorni, revista que em muitos aspectos, tanto na qualidade gráfica como no conteúdo, se assemelha ao InformaVitt, há ainda a realçar um laudativo texto de Mario Foschi, intitulado “Il mio Caprioli”, que curiosamente faz referência às exposições comemorativas do seu centenário realizadas em Portugal no ano de 2012, reproduzindo também a capa do fanzine editado, na mesma altura, pela Câmara Municipal de Moura, em que eu e a Catherine Labey tivemos a honra de colaborar.

A Fulvia Caprioli renovamos os nossos agradecimentos por esta bela oferta e os mais efusivos elogios pelo excelente (e exaustivo) trabalho bibliográfico que vem desenvolvendo, já há muitos anos, em prol da memória e do vasto legado estético, didáctico e artístico do seu ilustre progenitor, dando a conhecer, em particular, algumas facetas quase inéditas da sua actividade na área da ilustração.

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Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 2

Apresentamos seguidamente o 2º episódio de uma das melhores histórias ilustradas por Franco Caprioli,  “O Elefante Sagrado” (L’Elefante Sacro), nas versões portuguesa e italiana, reproduzidas respectivamente do Cavaleiro Andante nºs 6 a 9 (1952), e de um álbum editado por Camillo Conti em 1989.
É quase impossível ficar indiferente ao cotejo entre a pálida bicromia de algumas páginas do Cavaleiro Andante e o vistoso colorido do álbum italiano, fiel à publicação original na revista Il Vittorioso, que primava pela apresentação, pelo formato e pela qualidade artística do seu material e dos seus colaboradores, com destaque para o fôlego épico, o ambiente exótico e o fundo moralista das histórias realizadas com mão de mestre por Caprioli.

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Duas revistas muito diferentes

IL VITTORIOSO versus CAVALEIRO ANDANTE

Nascido em 9 de Janeiro de 1937, o Il Vittorioso – semanário de orientação católica, fundado por Luigi Gedda e dirigido por Nino Badano, que lançou artística e tematicamente as bases de uma nova escola do fumetto italiano –, contou desde o primeiro número com a preciosa colaboração de um jovem desenhador que começava, então, a dar os primeiros passos na difícil, mas apaixonante arte das histórias aos quadradinhos: Franco Caprioli. Mais tarde, devido ao sucesso que obteve, algumas das suas histórias foram publicadas à razão de duas, quatro, seis ou mesmo mais páginas por número. Tal não aconteceu com “L’Elefante Sacro”, porque em 1949 o Il Vittorioso tinha apenas oito páginas, publicando várias aventuras em cada número.

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Metade dessas páginas, impressas em offset, eram a quatro cores e, por opção editorial, destinavam-se em regra às histórias e aos desenhadores, como Caprioli, mais apreciados pelo público juvenil. A variedade de assuntos que preenchia a revista obrigava também a conceder menos espaço às histórias secundárias, que às vezes ocupavam apenas metade, um quarto ou dois terços das páginas.

Ao contrário do que era norma no Cavaleiro Andante e noutras revistas portuguesas — de figurino mais modesto, em tamanho e qualidade gráfica —, o Il Vittorioso dava apreciável destaque aos nomes dos seus colaboradores, tanto da parte artística como literária, chegando até a apresentar as suas biografias, o que permitia estabelecer um contacto mais próximo entre a redacção e os leitores.

Por causa do anonimato a que eram sujeitos nessa época, tanto em Portugal como noutros países europeus (a Inglaterra, por exemplo, onde os desenhadores nem sequer podiam assinar os seus trabalhos), tornou-se difícil para os  leitores mais curiosos descobrir a identidade de muitos artistas que não mereciam ser relegados ao esquecimento. Essa prática, sobretudo em relação aos desenhadores estrangeiros — Caprioli pode ser considerado uma das raras excepções —, foi um dos pontos mais negativos que distinguiram o Cavaleiro Andante do Il Vittorioso e de outras publicações juvenis suas congéneres.

No nº 22, de 29 de Maio de 1949, em que se iniciou a publicação de “L’Elefante Sacro”, o semanário italiano — de conteúdo controladovinheta elefante sacro 2 pelas instituições católicas que o editavam, mas sem um rigor excessivo — apresentava nas suas páginas de grande formato mais seis aventuras ilustradas por alguns dos seus melhores colaboradores artísticos: Gianni de Luca (L’Impero del sole), Sebas tiano Craveri (Avventure di Micio e Carboncino), Ruggero Giovannini (Bisonte Nero), Benito Jacovitti (Le babbucce di Allah), Renato Polese (Nella terra di nessuno) e Giulio Ferrari (Ombre e Luci).

Entre os argumentistas, todos eles de boa fibra literária, surgiam os nomes de Roudolph (pseudónimo de Raoul Traverso), Luigi Motta (que escreveu o roteiro de L’Elefante Sacro), B. Costa, Atamante e Eros Belloni.

Apenas duas dessas histórias (L’Impero del sole e Bisonte Nero) tiveram honras de estreia no Cavaleiro Andante, que privilegiava os desenhadores de estilo mais realista. Por isso, espanta-nos que uma obra-prima como Ombre e Luci, cujo tema de fundo é a trágica erupção do Vesúvio que devastou Pompeia, não tenha merecido figurar nas páginas do semanário juvenil português, onde as histórias de Giulio Ferrari foram também das mais apreciadas.

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Antologia – 1

FRANCO CAPRIOLI, pioneiro da BD de aventuras

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Nesta rubrica, que complementará a abor- dagem de outros temas sobre a vasta obra de Caprioli, iremos apresentar, de quando em quando, artigos, páginas ou excertos de textos publicados em diversas revistas, nomeadamente portuguesas, onde os seus elementos biográficos e a sua tripla faceta, artística, cultural e poética, foram larga- mente divulgados e comentados.

Começamos por um artigo que escrevi, como nota de abertura, para o nº 1 dos Cadernos de Banda Desenhada (2ª série), projecto editorial que pretendia modestamente assegurar a continuidade de um título publicado entre Janeiro de 1987 e Junho de 1988, num total de oito números (num dos quais foi reeditada uma das melhores histórias de Caprioli, “O Elefante Sagrado”) e que eu dirigi com o pseudónimo de A.A. de Castro, coadjuvado pela Catherine Labey e por dois velhos amigos, um deles, o José Manuel Sobral,  já falecido.

Infelizmente, como muitos outros sonhos, esse projecto idealista, voca- cionado para a reedição de BD clássica, portuguesa e de outros países — uma área onde existiam (e existem ainda) muitas lacunas —, estava condenado ao fracasso, desde logo por falta de uma base económica e editorial consistente, apoiada numa rede de distribuição eficaz, que a empresa a que recorremos não nos soube assegurar.

Quando um dos sócios principais do nosso pequeno grupo (o “Colectivo BD”) se afastou, a revista — que estava prestes a atingir o ponto de equilíbrio entre receitas e despesas, depois de reduzir a tiragem, graças ao aumento gradual das vendas e da carteira de publicidade — deixou de ter meios para continuar. O último dinheiro que recebemos mal deu para pagar à gráfica.

De aspecto mais modesto, impressa em pequeno offset e com uma tiragem bastante reduzida, a 2ª série viveu ainda menos tempo, devido a factores exógenos de que já nem me consigo recordar. O seu único número, saído em Novembro de 1995, foi dedicado também a Caprioli, FIG 19 Estranha aventura 2apresentando a preto e branco a história intitulada “Uma Estranha Aventura” (Una Strana Avventura), que muitos leitores do Il Vittorioso e do Cavaleiro Andante leram com especial curiosidade, por se tratar de uma narrativa fantástica, de fundo didáctico, onde Caprioli conjugou magistralmente o seu talento de ilustrador e um apaixonado interesse pela História e pela Ciência, em particular pelas civilizações primitivas e por temas como a Antropologia e a Paleontologia.

Assuntos em que o grande desenhador italiano era, aliás, um profundo especialista, como demonstrou ao ilustrar o livro Viaggio attraverso la Preistoria, com texto de Mario Bianchini, que ainda hoje serve de referência a estudiosos e leitores fascinados por aquelas remotas eras.

“Uma Estranha Aventura” foi publicada no Cavaleiro Andante nºs 200 a 221 (1954-55), mas preferimos extraí-la, ao fazer essa reedição, da revista brasileira Epopeia nº 34 (2ª série), de Maio de 1964, onde tinha sido muito melhor reproduzida a preto e branco.

(Nota: para ler o artigo, clicar sobre as páginas e depois ampliá-las).

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