Duas revistas muito diferentes

IL VITTORIOSO versus CAVALEIRO ANDANTE

Nascido em 9 de Janeiro de 1937, o Il Vittorioso – semanário de orientação católica, fundado por Luigi Gedda e dirigido por Nino Badano, que lançou artística e tematicamente as bases de uma nova escola do fumetto italiano –, contou desde o primeiro número com a preciosa colaboração de um jovem desenhador que começava, então, a dar os primeiros passos na difícil, mas apaixonante arte das histórias aos quadradinhos: Franco Caprioli. Mais tarde, devido ao sucesso que obteve, algumas das suas histórias foram publicadas à razão de duas, quatro, seis ou mesmo mais páginas por número. Tal não aconteceu com “L’Elefante Sacro”, porque em 1949 o Il Vittorioso tinha apenas oito páginas, publicando várias aventuras em cada número.

vinheta elefante sacro 1903

Metade dessas páginas, impressas em offset, eram a quatro cores e, por opção editorial, destinavam-se em regra às histórias e aos desenhadores, como Caprioli, mais apreciados pelo público juvenil. A variedade de assuntos que preenchia a revista obrigava também a conceder menos espaço às histórias secundárias, que às vezes ocupavam apenas metade, um quarto ou dois terços das páginas.

Ao contrário do que era norma no Cavaleiro Andante e noutras revistas portuguesas — de figurino mais modesto, em tamanho e qualidade gráfica —, o Il Vittorioso dava apreciável destaque aos nomes dos seus colaboradores, tanto da parte artística como literária, chegando até a apresentar as suas biografias, o que permitia estabelecer um contacto mais próximo entre a redacção e os leitores.

Por causa do anonimato a que eram sujeitos nessa época, tanto em Portugal como noutros países europeus (a Inglaterra, por exemplo, onde os desenhadores nem sequer podiam assinar os seus trabalhos), tornou-se difícil para os  leitores mais curiosos descobrir a identidade de muitos artistas que não mereciam ser relegados ao esquecimento. Essa prática, sobretudo em relação aos desenhadores estrangeiros — Caprioli pode ser considerado uma das raras excepções —, foi um dos pontos mais negativos que distinguiram o Cavaleiro Andante do Il Vittorioso e de outras publicações juvenis suas congéneres.

No nº 22, de 29 de Maio de 1949, em que se iniciou a publicação de “L’Elefante Sacro”, o semanário italiano — de conteúdo controladovinheta elefante sacro 2 pelas instituições católicas que o editavam, mas sem um rigor excessivo — apresentava nas suas páginas de grande formato mais seis aventuras ilustradas por alguns dos seus melhores colaboradores artísticos: Gianni de Luca (L’Impero del sole), Sebas tiano Craveri (Avventure di Micio e Carboncino), Ruggero Giovannini (Bisonte Nero), Benito Jacovitti (Le babbucce di Allah), Renato Polese (Nella terra di nessuno) e Giulio Ferrari (Ombre e Luci).

Entre os argumentistas, todos eles de boa fibra literária, surgiam os nomes de Roudolph (pseudónimo de Raoul Traverso), Luigi Motta (que escreveu o roteiro de L’Elefante Sacro), B. Costa, Atamante e Eros Belloni.

Apenas duas dessas histórias (L’Impero del sole e Bisonte Nero) tiveram honras de estreia no Cavaleiro Andante, que privilegiava os desenhadores de estilo mais realista. Por isso, espanta-nos que uma obra-prima como Ombre e Luci, cujo tema de fundo é a trágica erupção do Vesúvio que devastou Pompeia, não tenha merecido figurar nas páginas do semanário juvenil português, onde as histórias de Giulio Ferrari foram também das mais apreciadas.

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