Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 3

Tigre Caprioli911Eis mais quatro páginas desta maravilhosa aventura ilustrada por Franco Caprioli, que a partir daqui se desenrola nas exóticas e misteriosas regiões da Índia, entre marajás, palácios faustosos, templos dedicados a deuses sangrentos e florestas onde espreitam tigres, panteras… e thugs, membros de uma fanática seita, tão furtivos e ameaçadores como os animais selvagens que rondam quem se atreve a penetrar na selva.

A Índia do século XIX, cheia de segredos, de sortilégios e de perigos, símbolo do exotismo e da fascinação do enigmático Oriente, era um dos cenários preferidos de dois escritores famosos, Emilio Salgari e Luigi Motta — este, aliás, responsável pelo argumento que Caprioli, no auge da sua carreira, ilustrou de forma soberba, a tal ponto que muitos leitores (entre os quais me incluo) consideram L’Elefante Sacro uma das suas maiores obras-primas.

Ídolo Caprioli 912Quero, por isso, chamar a atenção para um pormenor que mostra a grande diferença que existia, sobretudo a nível gráfico, entre o Il Vittorioso e o Cavaleiro Andante: neste, por causa do formato mais reduzido, era hábito, com demasiada frequência, fazer cortes nas pranchas, normalmente em altura, mutilando os desenhos numa superfície de vários milímetros (como se nota no rodapé da última página deste grupo de quatro). Mas poucas reclamações devem ter chegado à redacção, porque os leitores mais jovens, a “arraia miúda” que formava o grosso das hostes, não se apercebiam dessas falhas ou não lhes ligavam grande importância.

Os problemas gráficos e de ordem estética eram comuns no Cavaleiro Andante (e noutras publicações suas congéneres), estendendo-se às capas quando nelas aparecia uma página inteira de BD em vez de uma ilustração, pois o cabeçalho com o título da revista ocupava muito espaço, obrigando à supressão de uma vinheta, no todo ou em parte, disso se ressentindo, é claro, a obra do desenhador. Tal acontecia também na contracapa, onde uma das últimas vinhetas ficava sempre incompleta por causa do cupão com um número (correspondente à tiragem) que habilitava ao sorteio de aliciantes prémios. Nem “O Elefante Sagrado” escapou a esse cupão de mau gosto!

Outros tempos, outros hábitos, outro (menor) rigor… e outras formas de promover o interesse e a fidelidade do público juvenil.

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