Caprioli e Emilio Salgari – 1

L'isola TabuEntre as muitas obras-primas que saíram das mãos de Franco Caprioli, particu- larmente nos anos 50 — talvez o seu período de maior expressividade artística, aquele em que foi um dos autores que mais se distinguiram nas páginas do Il Vittorioso —, conta-se, sem dúvida, “O Elefante Sagrado”, história estreada em Portugal, como já referimos, no nº 1 do Cavaleiro Andante (5/1/1952). Curiosamente, nesse período, Caprioli preferiu trabalhar com guiões alheios — ao contrário do que fizera nos primeiros anos da sua carreira, em revistas como Argentovivo, Topolino e Giramondo, dando um exemplo da sua mestria no campo literário, que não ficava aquém da de ilustrador, como provam, entre outras obras, L’Isola Giovedi e L’Isola Tabu.

“O Elefante Sagrado” tem a particularidade de simbolizar um regresso de Caprioli a temas exóticos que sempre gostou de abordar, numa miscelânea de acção, aventura, melodrama e fascínio por terras e povos desconhecidos. salgari-os-mistérios-da-selva-negraComo a Índia, no século XIX, onde se desenrola grande parte do enredo desta história.

Luigi Motta, autor do argumento e amigo e discípulo de Emilio Salgari, escreveu um belo romance de aventuras onde parece pairar, graças à magia artística de Caprioli, a sombra de Tremal-Naik e Kammamuri, heróis de um livro que muitos jovens portugueses leram com emoção: “Os Mistérios da Selva Negra” (I Misteri della Jungla Nera), reeditado em 1999 pelo Círculo de Leitores, num ciclo de homenagem a Salgari (e cuja capa reproduzimos, a título de curiosidade, embora esta não seja a “montra dos livros”, tão apreciada pelo nosso gato).  

Tal como nesse livro, os ferozes Thugs, inimigos de todos, indianos e brancos, que não professam as suas sanguinárias crenças, vão armar várias ciladas a Ângelo e ao seu companheiro de odisseia, quando estes se internam corajosamente na selva, em busca de uma princesa raptada pela misteriosa seita.

salgari-sandokan-tem-um-rivalA propósito do romance de Salgari, apro- veitamos para referir também, à laia de aditamento, uma versão do mesmo livro publicada pela Livraria Romano Torres, em 1952, com o título “Sandokan tem um rival”, traduzido pouco à letra (o que era prática frequente nas obras dessa editora). Trata-se da 3ª edição, com um texto revisto e condensado por Leyguarda Ferreira e uma colorida capa de Júlio Amorim, ambos colaboradores habituais da empresa. A referência a Sandokan justificava-se por esse volume fazer parte de uma nova série, muito popular, consagrada às aventuras do célebre pirata da Malásia, outra grande criação de Emilio Salgari.

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