Histórias de Caprioli publicadas em Portugal – 1

Apresentamos seguidamente a primeira parte de uma extensa quadriculografia do grande mestre italiano, com todas as histórias publicadas em língua portuguesa (incluindo também o Brasil), desde “O Elefante Sagrado”, “Pescadores de Pérolas”, “Falcões do Mar” e “Kim”, dadas à estampa, em 1952, no saudoso Cavaleiro Andante, até aos álbuns com adaptações de obras de Jules Verne publicadas nos anos 70 e 80 por diversas editoras (e também pelo Jornal da BD).

Capa revista Caprioli 150Esta lista foi reproduzida do fanzine dedicado a Caprioli, editado por ocasião do centenário do seu nascimento (2012) pela Câmara Municipal de Moura, e que eu — a convite de Carlos Rico, principal responsável do Salão Moura BD — tive o grato prazer de coordenar, com a colaboração técnica de Catherine Labey.

Em breve daremos o devido destaque a essa publicação (com 56 páginas a cores e uma tiragem de 500 exemplares, rapidamente esgo- tados), onde procurei fazer uma abordagem exaustiva, ilustrada com inúmeras imagens, da vasta obra de Caprioli no domínio das histórias aos quadradinhos — às quais dedicou todo o fulgor da sua arte incomparável e o seu profundo e ecléctico saber, recheado de humanismo, de valores éticos e morais, que sempre se preocupou em transmitir aos jovens de forma idónea e salutar, como um autêntico mestre cuja influência foi universal.

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Caprioli no “Tintin” belga – 1

Caprioli - tintin 23 1950É curioso assinalar, a propósito ainda de “O Elefante Sagrado”, que esta exótica e palpitante aventura, oriunda (como já referimos) do semanário italiano Il Vittorioso, foi também publicada, em 1950, noutra excelente revista europeia, o Tintin belga, onde Adolfo Simões Müller, director do Cavaleiro Andante, terá tido conhe- cimento, pela primeira vez, dos trabalhos de Caprioli — visto que o Tintin foi a “fonte” de onde brotaram algumas das histórias apresentadas nos primeiros números do Cavaleiro Andante, incluindo “O Templo do Sol”, uma nova aventura do jovem e audaz repórter que Hergé transfor- mou num herói universal.

Caprioli - Tintin 2 anúncio 541Traduzida à letra no Tintin por “L’Éléphant Sacré”, esta magnifica criação de Caprioli e Luigi Motta — uma das histórias preferidas do grande mestre italiano e de muitos dos seus admiradores, em que a acção flui de forma harmoniosa, entre cenários majestosos — foi sempre publicada em bicromia, tal como no Cavaleiro Andante, iniciando-se no nº 2 (12/1/1950) e terminando no nº 30 (27/7/1950) do 5º ano da afamada revista belga, cujas páginas eram preenchidas por outros colaboradores de renome (mas, então, ainda nos alvores da sua carreira), como Edgar Pierre Jacobs, Willy Vandersteen, Paul Cuvelier, Jacques Laudy, Jacques Martin, François Craenhals e, em primeiro plano, o mais experiente e credenciado do grupo: Georges Rémi (Hergé).

Aqui têm algumas páginas dessa versão belga, que poderão, por curiosidade, comparar com as que saíram no Cavaleiro Andante — qualquer delas uma “pálida sombra” da paleta garridamente colorida do Il Vittorioso.

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Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 5

Continuamos a apresentar esta maravilhosa história ilustrada por Caprioli, com argumento de Luigi Motta, que tem por cenário as miste- riosas e luxuriantes regiões da Índia, na primeira metade do século XIX, e por protagonista um jovem órfão, vendedor de pequenas estatuetas — que ele próprio habilmente esculpia —, a quem um capricho do destino fez embarcar como grumete numa viagem de longo curso e aportar a paragens desconhecidas, depois do naufrágio do veleiro mercante que dissera adeus à sua terra natal, em Itália, alguns meses antes.

Nesse longínquo país do Oriente, onde encontrou também um novo lar, em contacto com uma cultura milenária cujo exótico esplendor o fascinaria para sempre, Rudi (ou Ângelo, na versão portuguesa) ia viver uma fantástica aventura, recheada de emoções, de surpresas, de feitos heróicos, de mistérios e sortilégios que ultrapassavam a sua imaginação, de perigos ocultos no interior de majestosos templos e de traiçoeiras florestas virgens.

Como já largamente referimos, “O Elefante Sagrado” estreou-se em Portugal no primeiro número do Cavaleiro Andante, revista que, em Janeiro de 1952, suce- deu ao Diabrete, tornando-se um dos mais populares semanários do seu género, lido por muitos milhares de jovens e no qual as histórias aos quadradinhos europeias — particularmente as magistrais criações de Franco Caprioli — tiveram sempre lugar de destaque… embora publicadas geralmente em bicromia ou a preto e branco, sem o deslumbrante colorido das páginas do Il Vittorioso.

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Caprioli e Emilio Salgari – 2

Sandokan no Caprioli 2 495Já aqui falámos de “Os Mistérios da Floresta Negra”, um livro de Emilio Salgari que tem várias analogias com a grande aventura “O Elefante Sagrado”, magistralmente desenhada por Franco Caprioli, que continuamos a apresentar no nosso blogue em duas versões, italiana e portuguesa, e cujo argumento se deve a Luigi Motta, outro célebre escritor transalpino que procurou nas suas obras seguir as pisadas de Salgari, o seu maior mestre, retomando com êxito alguns dos temas e das personagens que este legou à posteridade.

Entre as peripécias vividas por Tremal-Naik, o caçador de tigres, nas profundas e misteriosas florestas de mangais onde se acoitavam os membros da temível seita dos Thugs, chefiados pelo pérfido Suyodhana, e a odisseia de Ângelo (ou Rudi), o jovem órfão que enfrenta corajosamente os perigos da selva, seguindo a pista que o conduzirá ao maléfico antro de Kali, a deusa do extermínio, há um elo comum: duas raparigas, Ada e Njalma, cujo destino está nas mãos dos seus captores, os fanáticos sequazes da deusa que exige sacrifícios humanos nas noites de lua nova. Conseguirão Tremal-Naik e Ângelo salvá-las?

I Misteri della giungla nera 2 187O emocionante romance de Salgari foi também vertido para BD, numa excelente adaptação de Rino Albertarelli, um dos maiores desenhadores italianos do seu tempo. E teve, além disso, uma versão cinematográfica, com o título The Mystery of the Black Jungle, produ- zida em 1955 e interpretada por Lex Barker, actor que se celebrizou, como muitos dos seus pares, encarnando na tela o mito de outro herói da selva: Tarzan.

Notável também, embora diferente da de Albertarelli, é a versão realizada por Guido Moroni Celsi, artista de traço clássico que adaptou muitas obras de Salgari, sobretudo as do ciclo mais famoso, em que Sandokan é a figura principal, ao lado de Yanez de Gomera (ou Gastão de Sequeira), o seu fiel aliado português, de Mariana (“A Pérola de Labuan”), uma jovem inglesa que enfeitiçou o seu coração, e do próprio Tremal-Naik.

Registe-se que o episódio “Os Mistérios da Floresta Negra”, pelo traço de Albertarelli, foi também publicado em Portugal na saudosa Colecção Salgari, da Agência PortuguesaO Mistério da floresta negra 189 de Revistas (APR), que lhe dedicou dois fascículos com capas de Carlos Alberto Santos e José Manuel Soares — artistas cujo talento flo- resceu, nas décadas de 50 a 70, em trabalhos de toda a ordem, incluindo capas de livros e revistas e colec- ções de cromos, mas que posteriormente se dedica- ram a tempo inteiro à sua grande paixão: a pintura.

(Nota: a capa do livro “Os Mistérios da Floresta Negra”, reproduzida na abertura deste post, é de outro grande autor português, José Ruy).

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