“I gatti” (os gatos) na arte de Caprioli – 1

Franco Caprioli, duplo-retrato-franco-e-francesca1981um dos mais ilustres autores da banda desenhada italiana e mundial, nasceu em Mompeo, província de Rieti, no dia 5 de Abril de 1912. Desde cedo, manifestou grande paixão pelas coisas do mar (talvez influenciado por um tio, capitão de fragata), o que, aliado ao jeito para o desenho, originou um caso curioso: o pequeno Caprioli começou a desenhar o mar mesmo antes de o ter visto pela primeira vez! Esta paixão manteve-a ao longo da vida, o que naturalmente se reflectiu na sua obra, onde a temática marítima e os cenários exóticos tiveram um papel muito relevante. Foi por isso que ficou conhecido como “o poeta do mar”.

A sua “imagem de marca” foi a utilização do “pontilhado” (técnica que consiste em desenhar pontos muito próximos uns dos outros, para dar a ilusão de sombras ou de relevo), que aplicou com mestria nas suas histórias.

A obra de Caprioli – imensa e magnífica – espraiou-se por revistas italianas mas também inglesas, francesas, belgas, espanholas, portuguesas e brasileiras. Em Itália, trabalhou para as revistas Argentovivo, Topolino, Il Corriere dei Piccoli e sobretudo Il Vittorioso e Il Giornalino.

No pós-guerra, desenhou no Giramondo uma das suas melhores criações, L’Isola Tabu, e no Topolino I Fanti di Picche. No Il Vittorioso publicou inúmeras histórias, como L’Elefante Sacro, I Pescatori di Perle, Kim, Una Strana Avventura, Dakota Jim, L’Ussaro della Morte, Aquila Maris, etc… No final da sua carreira trabalhou apenas para Il Giornalino, realizando adaptações de alguns dos maiores clássicos de Jules Verne, como “A Ilha Misteriosa”, “Miguel Strogoff”, “Os Filhos do Capitão Grant” e “Um Capitão de 15 Anos”, editadas também em Portugal nos anos 70 e 80, em álbuns e revistas como o Jornal da BD.

“Os Filhos do Capitão Grant” foi mesmo a última história em que o artista trabalhou, deixando-a inacabada devido ao seu súbito falecimento em Roma, no dia 8 de Fevereiro de 1974. Não fizera ainda 62 anos.

Caprioli amava os animais e retratou várias vezes o seu cão Toby. Mas também desenhou gatos… Seleccionámos várias páginas e vinhetas de duas histórias que se seguem e complementam uma à outra, publicadas em Itália no semanário Topolino, em 1940-41: “Fra I Canachi di Matareva” e “L’Isola Giovedi”. A título de curiosidade, refira-se que a 1ª parte desta série surgiu também em Portugal, no Álbum do Cavaleiro Andante nº 54.

Eis alguns extractos do primeiro desses episódios, desenrolados nas exóticas paragens do Pacífico, que tanto fascinavam Caprioli (e os seus leitores).

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