Caprioli no “Tintin” belga – 3

Caprioli - Tintin 50 5º ano155Traduzida à letra  no Tintin por “Les Pêcheurs de Perles”, esta magnifica criação de Caprioli e Roudolph (outra história que figura entre as favoritas do grande mestre italiano e dos seus inúme- ros admiradores) foi sempre publicada em bicromia, tal como no Cavaleiro Andante, iniciando-se no nº 50 (14/12/1950) e terminando no nº 15 (11/4/1951) da prestigiosa revista belga, cujas páginas eram preenchidas por outros talentosos colaboradores (mas, então, ainda nos primórdios da sua carreira), como Edgar Pierre Jacobs, Willy Vandersteen, Paul Cuvelier, Jacques Laudy — e, em primeiro plano, o mais experiente do grupo: Hergé.

Como o Tintin era numerado por volumes, correspondentes a um ano de publicação, a história começou no 5º ano e acabou no 6º. Os nomes dos dois principais personagens, de nacionalidade portuguesa, não foram modificados na tradução, mantendo uma curiosa afinidade fonética com nomes franceses e espanhóis: Manrico Villegas e Pérez Amary. Mas o resultado é óbvio… Nem uma coisa nem outra. Caprioli e Roudolph, seguindo o exemplo de Salgari, deviam considerar os portugueses criaturas de origem um pouco exótica!

Claro que no Cavaleiro Andante, para os tornar mais credíveis, Manrico (o governador da ilha de Ceilão) foi baptizado com o nome de Henrique de Albuquerque e Pérez (o seu assistente) com o de André de Noronha. Recorde-se que “Os Pescadores de Pérolas” se estreou no nº 1 da revista dirigida por Adolfo Simões Müller, dado à estampa em 5/1/1952, terminando a sua publicação no nº 18, de 3/5/1952, dois anos depois de ter ocupado sempre um lugar de honra nas capas garridamente coloridas do Il Vittorioso.

Aqui têm algumas páginas (as únicas que possuímos) da versão do Tintin, que poderão, por curiosidade, comparar com as que saíram no Cavaleiro Andante — qualquer delas uma “pálida sombra” da deslumbrante paleta do Il Vittorioso, revista de maior formato e mais luxuosa apresentação gráfica.

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“I gatti” (os gatos) na arte de Caprioli – 3

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Aqui têm as últimas imagens com os dois felinos “José” e “Tiaré”, personagens da história L’Isola Giovedi, uma aventura passada nos mares tropicais e dada à estampa na revista Topolino, entre 1939-41.

Em breve, apresentaremos mais ilustrações com gatos do grande desenhador Franco Caprioli, cujo espírito humanista transparecia também nas relações dos heróis das suas histórias com os animais.

Em L’Isola Giovedi, Caprioli serviu-se de si próprio e de sua mulher Franca como modelos para as figuras dos jovens protagonistas Italo e Maya… e a semelhança é notável.

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Obras-primas: Os Pescadores de Pérolas (I Pescatori di Perle) – 4

Caprioli - Vittorioso 11Concluímos hoje mais uma das belas histórias de Caprioli publicadas no Cavaleiro Andante, a revista que as deu a conhecer a muitos jovens portugueses, rendendo-os de imediato ao seu estilo límpido, poético e harmonioso e ao profundo humanismo que se desprendia dos seus temas e das suas personagens.

“Os Pescadores de Pérolas” (com argumento de Roudolph) estreou-se no nº 1 do Cavaleiro Andante, saído em 5 de Janeiro de 1952, terminando a sua publicação no nº 18, de 3 de Maio de 1952, dois anos depois de ter surgido, em lugar de honra, nas páginas garridamente coloridas do semanário juvenil italiano Il Vittorioso — como a que apresentamos a abrir este post, com o cabeçalho da revista, e que curiosamente tem coloração diferente da que foi reeditada num álbum publicado por Camillo Conti, em 1996, de onde reproduzimos, na íntegra, esta história.

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A mais bela história marítima de Caprioli: “L’Isola Giovedi”

Renato Rizzo, um consagrado crítico e estudioso da BD italiana, referiu-se à magia de Franco Caprioli e ao seu perene ideal de perfeição (o que dificulta a escolha da sua maior obra-prima, entre tantas criações magistrais) como a incessante busca da Ilha Giovedi, «esse atol mítico eternamente sonhado pelo desenhador, mas sempre inacessível para ele e para nós porque forjado apenas pela matéria impalpável dos sonhos».

Nesta história, realizada para a revista Topolino, num intervalo do serviço militar de Caprioli, entre 1939 e 1941, no começo da 2ª grande guerra, o jovem desenhador idealista (então com 28 anos) quis expressar o seu desejo de um mundo sereno, utópico e distante: «Um oásis, um pequeno e pacífico paraíso de palmeiras, onde não chegasse nenhum eco de massacres e de violência, do desespero e da fome», escreveu Caprioli, referindo-se a esta história, muitos anos depois. «Uma pequena ilha onde soprava a brisa da primavera eterna e da eterna juventude… com praias banhadas por ondas límpidas e cristalinas, sem a poluição dos motores, sulcadas apenas por silenciosos e românticos veleiros».

L'Isola giovedi capaItalo, o protagonista (que Caprioli retratou à sua imagem e semelhança), era um jovem marinheiro, de espírito simples mas de sentimentos nobres, que só recorria à força física em defesa do seu pequeno mundo e da sua companheira. Quanto a Maya, a dona do seu coração (isto é, a própria mulher de Caprioli), era também, como o herói, generosa, leal e anti-conformista.

«Maya é muito rica, a laguna da “sua” ilha está cheia de bancos de ostras perlíferas, mas ela renunciará a todos os encantos da “civilização”, em troca do amor. O enredo é ingénuo, talvez demasiado propenso ao romantismo, mas exprimia os meus sentimentos… os mesmos dos jovens dessa época (e de hoje, de amanhã, de todos os tempos). E não apenas dos jovens… Sempre me extasiou o apreço unânime dos leitores pelo meu trabalho!».

Kanaki di MatarewaEstas palavras foram escritas por Caprioli no prefácio de um álbum publicado no ano de 1974 pelo editor Camillo Conti, com a reedição do episódio Fra i Kanaki di Matarewa, 1ª parte de L’Isola Giovedi, uma das histórias mais famosas do mestre italiano. A 2ª parte, com a conclusão dessa exótica aventura, recheada de peripécias, que tinha como cenário principal a Ilha Quinta-feira ou Ilha das Pérolas (título que lhe foi dado num Álbum do Cava- leiro Andante), seria publicada noutro volume, ainda com mais páginas.

Num formato muito maior, autêntica edição de coleccionador, com capas ilustradas por Fabrizio Caprioli (talentoso artista, filho do mestre, que se dedicou também à BD), distingue-se pelo seu ineditismo a homenagem de outro faneditor, o Club Anni Trenta, que em 1988 reeditou L’Isola Giovedi em três álbuns muito difíceis de guardar em qualquer estante, por causa do seu tamanho.

Será esta história que começaremos a apresentar muito em breve, após a conclusão de outra obra-prima de Caprioli: “Os Pescadores de Pérolas”, publicada também pelo Cavaleiro Andante.

Caprioli (L'Isola Giovedi)

 

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