A mais bela história marítima de Caprioli: “L’Isola Giovedi”

Renato Rizzo, um consagrado crítico e estudioso da BD italiana, referiu-se à magia de Franco Caprioli e ao seu perene ideal de perfeição (o que dificulta a escolha da sua maior obra-prima, entre tantas criações magistrais) como a incessante busca da Ilha Giovedi, «esse atol mítico eternamente sonhado pelo desenhador, mas sempre inacessível para ele e para nós porque forjado apenas pela matéria impalpável dos sonhos».

Nesta história, realizada para a revista Topolino, num intervalo do serviço militar de Caprioli, entre 1939 e 1941, no começo da 2ª grande guerra, o jovem desenhador idealista (então com 28 anos) quis expressar o seu desejo de um mundo sereno, utópico e distante: «Um oásis, um pequeno e pacífico paraíso de palmeiras, onde não chegasse nenhum eco de massacres e de violência, do desespero e da fome», escreveu Caprioli, referindo-se a esta história, muitos anos depois. «Uma pequena ilha onde soprava a brisa da primavera eterna e da eterna juventude… com praias banhadas por ondas límpidas e cristalinas, sem a poluição dos motores, sulcadas apenas por silenciosos e românticos veleiros».

L'Isola giovedi capaItalo, o protagonista (que Caprioli retratou à sua imagem e semelhança), era um jovem marinheiro, de espírito simples mas de sentimentos nobres, que só recorria à força física em defesa do seu pequeno mundo e da sua companheira. Quanto a Maya, a dona do seu coração (isto é, a própria mulher de Caprioli), era também, como o herói, generosa, leal e anti-conformista.

«Maya é muito rica, a laguna da “sua” ilha está cheia de bancos de ostras perlíferas, mas ela renunciará a todos os encantos da “civilização”, em troca do amor. O enredo é ingénuo, talvez demasiado propenso ao romantismo, mas exprimia os meus sentimentos… os mesmos dos jovens dessa época (e de hoje, de amanhã, de todos os tempos). E não apenas dos jovens… Sempre me extasiou o apreço unânime dos leitores pelo meu trabalho!».

Kanaki di MatarewaEstas palavras foram escritas por Caprioli no prefácio de um álbum publicado no ano de 1974 pelo editor Camillo Conti, com a reedição do episódio Fra i Kanaki di Matarewa, 1ª parte de L’Isola Giovedi, uma das histórias mais famosas do mestre italiano. A 2ª parte, com a conclusão dessa exótica aventura, recheada de peripécias, que tinha como cenário principal a Ilha Quinta-feira ou Ilha das Pérolas (título que lhe foi dado num Álbum do Cava- leiro Andante), seria publicada noutro volume, ainda com mais páginas.

Num formato muito maior, autêntica edição de coleccionador, com capas ilustradas por Fabrizio Caprioli (talentoso artista, filho do mestre, que se dedicou também à BD), distingue-se pelo seu ineditismo a homenagem de outro faneditor, o Club Anni Trenta, que em 1988 reeditou L’Isola Giovedi em três álbuns muito difíceis de guardar em qualquer estante, por causa do seu tamanho.

Será esta história que começaremos a apresentar muito em breve, após a conclusão de outra obra-prima de Caprioli: “Os Pescadores de Pérolas”, publicada também pelo Cavaleiro Andante.

Caprioli (L'Isola Giovedi)

 

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