Caprioli e os “Mosqueteiros” da pradaria

 “COWBOYS” DE TODO O MUNDO

Caprioli (Il Vittorioso)

Eis mais uma magnífica ilustração de um Mestre da BD e da arte das imagens, um “virtuoso” em toda a acepção da palavra, que curiosamente também manifestou apreço pelas histórias de cowboys, tendo oferecido aos seus inúmeros admiradores duas ou três aventuras do género, como o memorável Dakota Jim, o “Cowboy” Verde, publicado com grande êxito na revista italiana Il Vitto- rioso e entre nós no Cavaleiro Andante (1954-55). Todos os leitores dessa época, mesmo os que preferiam outros temas,  se lembram ainda desse herói.

Franco Caprioli era um artista versátil e de grande cultura que, além de criar excelentes histórias aos quadradinhos, recheadas de belas imagens (como comprovam as duas páginas reproduzidas mais abaixo, pertencentes às aventuras de Dakota Jim), gostava de ensinar através desse lúdico e eficaz meio de expressão, cujas potencialidades reconhecia e admirava, abordando variadíssimos temas sobre a história, a arte e a cultura dos povos, desde os tempos mais remotos até à época em que viveu. E sempre com um profundo poder de erudição e um perfeccionismo gráfico que deixava os leitores maravilhados.

Caprioli (Dakota Jim)No caso vertente, a primorosa ilustração — com o romântico título, em português, Os Famosos Mosque- teiros da Pradaria” — mostra-nos como eram os cowboys em várias partes do mundo e não apenas no terri- tório onde o seu caris- mático nome nasceu e se tornou mais popular: os Estados Unidos da América. Traduzido em espanhol, o nome dos guardadores de bovinos é vaquero e esses genuínos rivais dos cowboys do Texas, do Kansas e do Arizona encontram-se ainda, em pleno século XXI, nalguns países da América do Sul, onde as imensas pradarias cobertas de erva podem também rivalizar com as da América do Norte.

Alguns dos vaqueros retratados por Caprioli são originários do México, da Bolívia e da Argentina; quanto a estes últimos destacam-se, com especial relevo, pelo seu pitoresco, o trajo, a montada e as “armas” dos gauchos, nome que designa os lendários heróis das pampas. Também na Europa há cowboys, ainda que de outra espécie menos mítica, como o buttero da Toscânia (Itália) e os cossacos das estepes russas.

Estes também gozaram, noutros tempos, de fama universal, graças aos grandes escritores eslavos (Tolstoi, Gogol, Puskin) e ao cinema, e eram comparados aos melhores cavaleiros do mundo, embora se dedicassem mais à guerra do que ao gado. Hoje, já não se ouve falar de cossacos na Ucrânia e noutras antigas regiões da Rússia, cujas tradições mudaram radicalmente.

Posto isto, por que não incluir também nesta nobre selecção dos “Famosos Mosqueteiros da Pradaria” os nossos valentes campinos ribatejanos, que passam a vida a cavalo e sabem lidar com animais mais bravios e corpulentos do que aqueles que os cowboys americanos conduziam pachorrentamente ao longo das suas intermináveis pistas?

Caprioli (Dakota Jim - 2)

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