Caprioli e os clássicos da Literatura – 5

Um dos romances de aventuras (na categoria clássicos juvenis) mais conhecidos é “A Ilha do Tesouro” (Treasure Island), publicado em 1883 e que tornou mundialmente famoso o nome do seu autor, natural de Edimburgo (Escócia), Robert Louis Stevenson (1850-1894).

caprioli-ilha-do-tesouro-3Ao longo de mais de um século, esta obra tem sido um dos cânones da literatura de viagens e de aventuras repetidamente abordado pelo cinema e pelos melhores ilustradores de vários países, que deram uma incontornável expressão gráfica (e icónica) aos seus protagonistas: Jim Hawkins, o jovem caçador de tesouros, Long John Silver, o pirata da perna- -de-pau, o capitão Smolett, o doutor Livesey, Ben Gunn, o exilado da ilha onde estava escondido o produto das rapinas do sinistro capitão Flint…

Notoriamente, no campo da banda desenhada, “A Ilha do Tesouro” foi também um dos livros mais recriados por grandes desenhadores, como Fernando Bento, Hugo Pratt, Dino Bataglia, Dudley Watkins, Cecil Doughty, Peter Jackson ou John Millar Watt, por exemplo. E a lista continuará decerto a aumentar… Por casualidade, entre esses nomes de consagrados artistas não figura o de Franco Caprioli, o grande mestre italiano apaixonado pelo mar, que nos legou monumentais epopeias aos quadradinhos como “Moby Dick” e “A Ilha Misteriosa”, magistralmente adaptadas das respectivas criações literárias de Herman Melville e Jules Verne.

Talvez por nunca ter tido outra oportunidade, Caprioli limitou-se a ilustrar algumas cenas do célebre romance de Robert Louis Stevenson, para uma colecção publicada em Itália nos anos 50. Mas qualquer das suas imagens foi bastante forte para se gravar indelevelmente no imaginário dos juvenis leitores a quem essa colecção era destinada. Aqui têm, à guisa de “aperitivo”, as três que conseguimos juntar, até agora, ao nosso acervo, com a preciosa ajuda do Grupo Franco Caprioli, orientado por sua filha Fulvia.   

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No centenário do desenhador poeta – 1

Em Junho de 2012, tive o grato prazer e a honra de participar num evento comemorativo do centenário de Franco Caprioli, o grande desenhador italiano, nascido em 5 de Abril de 1912, que foi homenageado pela Câmara Municipal de Moura, no âmbito de uma exposição organizada por Luiz Beira e Carlos Rico, em que também colaborou a filha do saudoso Mestre, Fulvia Caprioli.

Capa DVD CaprioliCoube-me a mim, por convite da organização, coordenar um fanzine e um e-book, este destinado à reposição da mostra em Viseu, durante o mês de Agosto, numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Moura e do Gicav (Grupo de Intervenção e Criati- vidade Artística de Viseu). Tanto o fanzine como o e-book, recheados de imagens das histórias originais de Caprioli, fotos de família e outros documentos raros e inéditos — fornecidos pela própria Fulvia, sempre gentilíssima e pronta a colaborar em tudo o que estava ao seu alcance —, obtiveram grande êxito, esgotando-se praticamente, apesar de serem edições com algumas centenas de exemplares.

Hoje já se torna difícil adquiri-las e foi essa raridade que me motivou a reproduzir no blogue as páginas desse trabalho, com texto meu e arranjo gráfico de Catherine Labey, tal como saíram nas citadas edições que remontam ao ano de 2012 — tendo a de Moura chegado a ser seleccionada para os prémios do Festival Internacional da Amadora desse ano, na categoria “Fanzines”.

Como o trabalho é extenso, iremos dividi-lo em várias partes, procurando, dentro do possível, não quebrar a unidade do todo. Nenhuma imagem ou trechos do artigo (reproduzido directamente do e-book, cuja versão ficou mais completa) serão suprimidos. Assinale-se, na capa deste e-book, uma vinheta da história Il Tesoro di Tahorai-Tiki-Tabù (O Tesouro dos Mares do Sul), publicada em Portugal no Álbum do Cavaleiro Andante nº 4 (Setembro 1954). Uma aventura maravilhosamente ilustrada que me provocou, página após página (lembro-me bem!), uma sensação de puro deslumbramento!

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Caprioli e a natureza – 2

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As páginas em destaque neste post pertencem à história Yukon Selvaggio, onde Caprioli abordou pela primeira vez os temas da Polícia Montada e do Grande Norte, tão caros a escritores como Jack London, Zane Grey, James Oliver Curwood e Rex Beach, que figuravam certamente na lista dos seus favoritos.

Por curiosidade, este excelente episódio — que em Portugal foi publicado no Álbum do Cavaleiro Andante nº 75 (Agosto de 1960), com o título “Bandidos do Yukon”, os-bandidos-do-yukon-capamenos assertivo no que à beleza selvagem do seu cenário diz respeito — corresponde a uma fase em que o grande mestre italiano teve de mudar de estilo, embora a contragosto, influenciado por alguns comentários desfavoráveis acerca da sua “obsessão” pela técnica dos pontinhos (isto é, do pontilhado), que entre o próprio quadro redactorial do Il Vittorioso parecia já não ser muito apreciada.

Caprioli optou, assim — nas suas novas criações para a revista onde colaborava desde o início da sua carreira, em 1937, como autor de fumetti —, por um estilo em que estava menos à vontade (e que os seus admiradores decerto estranharam), substituindo os pontinhos pelo tracejado e procurando dar mais dinamismo à composição das cenas, aligeirando-as dos textos descritivos em que ele e outros desenhadores daquela época eram pródigos, pois também gostavam de expandir a sua criatividade literária.

Nas páginas que aqui apresentamos, apesar dessa faceta descritiva continuar presente, nota-se o equilíbrio entre a perfeição estética das imagens — comprovando o esforço de Caprioli para se adaptar ao seu novo estilo — e a fluência do ritmo narrativo, que as legendas pontuam como uma espécie de voz off num filme documentário sobre a natureza.

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Infelizmente, esta página do Il Vittorioso — magnífico tributo ao deslumbrante cenário do Wild North, que London e Curwood descreveram com o mesmo requinte de Caprioli — não chegou ao conhecimento dos leitores portugueses, pois foi suprimida, por falta de espaço, no Álbum do Cavaleiro Andante nº 75. Uma lamentável lacuna que ilustra, entre outros exemplos, os maus procedimentos das revistas juvenis de outros tempos, cujo respeito pela integridade das histórias aos quadradinhos que publicavam era quase nulo.

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