Histórias do mar – 3

Dando seguimento à divulgação de um trabalho de Jorge Magalhães publicado em 2012 pela Câmara Municipal de Moura e pelo Grupo Gicav (de Viseu), no âmbito da exposição comemorativa do centenário de Franco Caprioli, o desenhador poeta, apresentamos mais oito páginas de outro capítulo do e-book editado pelo Gicav, com uma pequena tiragem de 50 exemplares.

Neste capítulo, dedicado às histórias do mar, um dos temas favoritos de Caprioli, figuram três episódios reproduzidos do semanário Il Giornalino, onde é bem patente a perfeição com que o mestre italiano retratava o mar e os seus habitantes, os navios e os homens que os manobravam.

A terceira dessas histórias (todas de ambiente contemporâneo), com argumento de O. Saibari, baseado em factos verídicos, intitula-se “Balene d’assalto” e foi publicada no nº 22 (1973) da citada revista juvenil, que para Caprioli constituiu um ponto de viragem no último período da sua carreira.

Anúncios

Caprioli e a natureza – 3

Trazemos-lhes hoje, como uma das curiosidades desta rubrica, mais uma magnífica ilustração de Caprioli oriunda da série didáctica Popoli e Paesi (Povos e Países), dada à estampa na revista Il Vittorioso, que como muitos dos nossos leitores já sabem foi aquela onde o grande mestre italiano colaborou mais assiduamente, durante as primeiras décadas da sua fértil carreira.

A segunda curiosidade refere-se ao mesmo cenário, o Oeste americano, e a uma das criações mais singulares e primorosas (tanto em relação ao herói principal como aos desenhos) que saíram das mãos de Caprioli: Dakota Jim, o Cowboy Verde. Bastou o título desta história, dividida em duas partes, para aguçar o interesse dos leitores quando foi estreada no nº 144 do Cavaleiro Andante, em Outubro de 1954. Infelizmente, Caprioli desenhou poucas histórias de cowboys, embora o tema o seduzisse, sem a menor dúvida, pois oferecia-lhe a oportunidade de espraiar a sua arte pela fauna, pelo folclore (sobretudo o das tribos índias) e pelas deslumbrantes paisagens do Faroeste americano, como esta aventura comprova em muitas das suas vinhetas.

Mas o Cavaleiro Andante pregou aos leitores uma partida, omitindo sem explicação uma das últimas páginas da história, por sinal recheada também de majestosos quadros da natureza selvagem. Claro que nenhum leitor da revista se apercebeu disso, porque a sequência das cenas (entre os nºs 167 e 168) não parecia interrompida. Caprioli, com o seu lento ritmo narrativo e o seu amor pela natureza, explorava sempre mais o ambiente e a caracterização das personagens do que a própria intriga — para ele um elemento quase secundário perante a beleza e o requinte estético das imagens com que decorava as suas páginas.

Em Dakota Jim, o Cowboy Verde o argumento (sem qualquer relação com temas ecológicos, diga-se de passagem) até era um bom suporte dessa arte narrativa, cuja serena harmonia tanto encantava os leitores de todo o mundo. Embora Caprioli fosse nitidamente um admirador das famosas séries B que, ainda no tempo do cinema mudo, entusiasmavam a juventude, com os seus cowboys ágeis, românticos e destemidos — como Buck Jones, Tom Mix, Tim McCoy e muitos outros —, Dakota Jim estabelece uma curiosa ponte entre esses primeiros e convencionais westerns, recheados de lutas, cavalgadas e tiroteios, com a acção e os heróis mais consistentes dos seus sucedâneos (sobretudo a partir dos anos 1940), cujos realizadores começavam também a descobrir a importância dos cenários naturais para cativar as audiências.

Muitos anos depois do Cavaleiro Andante ter publicado esta belíssima história, eu e o José Pires — que editávamos um fanzine chamado Fandwestern, inteiramente dedicado ao universo do Oeste americano, como o próprio título indica — resolvemos recuperá-la, com todo o afã, reproduzindo em modestas fotocópias a preto e branco as páginas que Caprioli tinha magistralmente desenhado para nosso deleite, quando éramos mais jovens. E até conseguimos encontrar, numa revista francesa (pois não possuíamos o Il Vittorioso), a página que faltava no Cavaleiro Andante.

Lamentavelmente, nenhum de nós possui ainda a versão original dessa página, mas aqui fica a que publicámos no nº 7 do Fandwestern (Junho de 1996), completando assim, embora sem as magníficas cores de Caprioli, a versão portuguesa de uma das suas melhores criações dos anos 1950 — uma pausa (de certa forma, insólita) no género que mais lhe agradava e que lhe deu maior êxito: as grandes epopeias históricas como Aquila Maris (A Águia dos Mares), Hic Sunt Leones (Através do Deserto), L’Ussaro della Morte (O Hussardo da Morte), Una Strana Avventura (Uma Estranha Aventura) e Al di là della Raya (A Primeira Volta ao Mundo).

Le chat dans tous ses états - Gatos... gatinhos e gatarrões! de Catherine Labey

Pour les fans de chats e de tous les animaux en général - Para os amantes de gatos e de todos os animais em geral

largodoscorreios

Largo dos Correios, Portalegre

Interesting Literature

A Library of Literary Interestingness

almanaque silva

histórias da ilustração portuguesa