O estúdio de Caprioli – 2

Vista que se desfruta do estúdio de Caprioli, em Mompeo

Trabalhador incansável, Caprioli era o paradigma do artista que vivia intensamente a sua profissão, dedicando-lhe mais tempo do que à própria família.

“Morreu enquanto desenhava”, contou-nos sua filha Fulvia, que partilhou com ele a existência durante quase 22 anos, a maior parte do tempo na mansão familiar de Mompeo, uma frondosa região campestre, a 70 kms de Roma, onde Caprioli também tinha residência, por isso lhe facilitar o contacto com os seus editores.

Da janela do seu estúdio, em Mompeo, amorosamente conservado pela filha, desfruta-se ainda um belo panorama (como atesta a imagem supra), e não é exagero imaginar a inspiração que Caprioli colheu, durante o seu incessante labor artístico, ao olhar por essa janela.

Aspecto actual do estúdio de Caprioli

Habituado a uma vida simples e sedentária de pequeno proprietário rural, que herdara da família aquele rústico solar, com os seus terrenos adjacentes onde brotava exuberante vegetação — mal cuidada por um artista que amava a natureza, mas não lhe dedicava tanta atenção como aos seus trabalhos, deixando-a crescer livremente —, Caprioli estendeu essa modéstia e sobriedade aos seus próprios hábitos profissionais, a começar pelos instrumentos que utilizava – como uma velha prancheta de desenho, com manchas de tinta, que gostava de pousar sobre os joelhos – até ao espartano mobiliário do seu estúdio, que, à primeira vista, parecia quase vazio.

Mas foi nele que viveu, trabalhou e produziu algumas das suas maiores obras- -primas, durante os anos mais férteis de uma longa carreira dedicada, com verdadeira paixão, àqueles que também faziam parte da sua família: os seus jovens leitores do Il Vittorioso, do Topolino, do Giornalino e de tantas outras revistas, incluindo o nosso Cavaleiro Andante.

Morreu da forma que certamente mais desejava, num dia de Inverno de 1974, imerso no seu mundo de fantasia e sempre agarrado aos seus cigarros ou ao seu cachimbo – quando o coração que tantas emoções vivera no ardente cadinho do Sonho, do Romantismo, da História e da Aventura, deixou subitamente de bater.

A régua, outro instrumento de trabalho de Caprioli

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O Presépio na arte de Caprioli

Esta rústica imagem natalícia de Caprioli, com um magnífico trabalho de claro-escuro — gentilmente enviada por sua filha Fulvia, a maior divulgadora da obra do grande mestre italiano —, foi extraída de um livro intitulado “Il Cammino della Civiltá” (“O Caminho da Civilização”), com texto de Mimi Menicucci e publicado pelo editor Capriotti no longínquo ano de 1948.

Caprioli tinha um carinho especial pela quadra mais festiva do ano e pelas imagens do Presépio, impregnadas de encanto e de magia, como as suas próprias histórias, profundamente poéticas e humanistas — que, tal como a recordação de muitos Natais passados, nunca se apagarão também da nossa memória…

Inédita em revistas e blogues portugueses, esta ilustração serve de mote ao nosso “cartão” digital com votos de BOAS FESTAS e FELIZ ANO NOVO para todos quantos continuam a admirar a beleza e a arte da obra incomparável de Franco Caprioli.

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