Histórias inglesas de Caprioli – 6

“Um coco salvou 11 homens”

Oriundo do Lion, de 26/11/1966 (revista inglesa sem numeração, publicada às 2ªs feiras, onde Caprioli colaborou largamente, mas apenas com histórias curtas), este episódio da série Bravest of the Brave descreve a heróica odisseia vivida nos mares do Pacífico por uma das personalidades mais famosas da história dos Estados Unidos da América, o futuro Presidente John Fitzgerald Kennedy, que foi oficial da Marinha, com brilhante folha de serviços (citado até por heroísmo), durante a 2ª Guerra Mundial.

Nascido em 29 de Maio de 1917, Kennedy tornou-se Presidente em 1961 e foi assassinado em Dallas (Texas), em 22 de Novembro de 1963.

A título de curiosidade, reproduzimos o mesmo episódio tal como apareceu no Mundo de Aventuras nº 1079 (1ª série), de 28/5/1970, com o título “Um coco salvou onze homens” e num formato mais reduzido, que obrigou a vários cortes nos desenhos (e a outras “tropelias”), como podem ver mais abaixo.

Histórias inglesas de Caprioli – 5

Olac, o Gladiador: “Os Rivais Bretões”

A propósito deste tema, já aqui apresentámos algumas histórias reali- zadas por Caprioli quando colaborou assiduamente com o estúdio de Alberto Giolitti, outro desenhador italiano de grande craveira que, à míngua de oportunidades na sua terra, decidiu tentar a sorte noutras paragens, onde o mercado de BD era mais florescente (e mais rentável), conseguindo que vários editores ingleses começassem a dar apreço aos artistas transalpinos.

Caprioli, a braços também com problemas económicos, devido ao sucessivo cancelamento de várias revistas que publicavam os seus trabalhos, aproveitou a ocasião sem hesitar, embora sabendo que nas revistas inglesas de BD, salvo raras excepções, imperava o anonimato dos seus colaboradores, tanto literários como artísticos. Sobretudo a Fleetway-IPC fazia “vista grossa” aos direitos de autor, a coberto dessa regra, ficando com os originais e vendendo material ao estrangeiro sem pagar mais verbas aos respectivos autores. Mas a necessidade obrigava os desenhadores italianos (e de outros países) a aceitar essas condições, tanto mais que a libra era uma moeda forte e as encomendas não faltavam.

Ao serviço do Estúdio Giolitti, Caprioli ilustrou vários guiões para revistas inglesas, come- çando por um episódio da série “Olac, o Gladiador”, que foi publicado, com cores garridas, no almanaque Tiger Annual de 1962. Uma nota humorís- tica de Caprioli que merece destaque: na última vinheta desta história é bem visível o primeiro nome do artista, em inglês. Resta saber se a sua assinatura passou despercebida ao editor do Tiger Annual ou se este achou graça à ideia!

A verdade é que numa célebre revista da concorrência (a Eagle), onde eram devida- mente publicitados os nomes dos seus autores, campeavam dois outros Frank’s, de glorioso apelido: Hampson e Bellamy. Caprioli, ao entrar no reino da BD inglesa, estava, pois, em boa companhia, embora nenhum leitor da velha Albion conhecesse ainda o seu nome e a sua origem… o que só viria a acontecer muitos anos depois, quando esses leitores já tinham atingido a meia-idade!

Lamentavelmente, Caprioli não foi convidado a desenhar mais nenhum episódio de “Olac, o Gladiador” — série que passou também pelas mãos de Don Lawrence, Ruggero Giovannini, Carlos Roume e outros grandes desenhadores dessa época (e da qual há vários episódios publicados no Mundo de Aventuras e noutras revistas portuguesas).

Esta breve aventura do heróico gladiador bretão surgiu também, a preto e branco, nas páginas do Pim-Pam-Pum (saudoso suplemento infantil do jornal O Século, publicado à 5ª feira), em meados dos anos 60. Muito tempo depois, teve nova impressão, com as cores originais, num magnífico fanzine editado, em 2012, pela Câmara Municipal de Moura, no âmbito do seu Salão de BD e de uma exposição comemorativa do centenário do “desenhador poeta”, que esteve também patente em Viseu, nesse mesmo ano, por iniciativa do Gicav – Grupo de Intervenção Cultural e Artística de Viseu.

São essas páginas que a seguir reproduzimos. Boa leitura, com a deslumbrante arte de Caprioli! (Para ver/ler as imagens em toda a sua extensão, clique duas vezes sobre as mesmas).

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Histórias inglesas de Caprioli – 4

Os Argonautas (2ª parte)

caprioli-the-argonauts-2Desenhador versátil e especializado no género histórico, Caprioli foi um dos colaboradores preferidos de revistas como Ranger e Look and Learn, no período em que a sua actividade criativa se estendeu, por necessidade, ao fértil mercado inglês de publicações juvenis, representado principalmente pela editora Fleetway (actual IPC), sediada em Londres, cujos títulos de maior formato, como os dois citados (e ainda Treasure, Tell Me Why e World of Wonder), combinavam os temas lúdicos e culturais com uma série de relatos aventurosos, no mais puro estilo realista.

Foi no Look and Learn que surgiu, em 1970, uma magnífica versão da célebre lenda mitológica “Os Argonautas” (The Argonauts), ilustrada por Caprioli, que entre nós teve honras de publicação no Jornal do Cuto nº 112, de 24/9/1975. Apresentamos seguidamente a segunda parte desta história, com as últimas cinco páginas, extraídas da edição portuguesa, onde os primorosos desenhos de Caprioli tiveram reprodução condigna, embora num formato bastante menor do que aquele com que apareceram no Look and Learn.

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Histórias inglesas de Caprioli – 3

Os Argonautas (1ª parte)

Já aqui referimos os títulos de várias narrativas, sobre os mais diversos temas, acontecimentos e figuras históricas, realizadas por Caprioli para revistas inglesas, no período em que a imprensa juvenil italiana, assolada por grave crise, o deixou praticamente sem trabalho. Forçado a procurar outras fontes de rendimento, sem pôr de lado a banda desenhada, Caprioli juntou-se ao estúdio de Alberto Giolitti, que começara a fornecer aos editores ingleses histórias realizadas, sob encomenda, pelos melhores artistas italianos desse tempo.

Desenhador versátil, mas especia- lizado no género histórico, Caprioli foi naturalmente um dos colabora- dores preferidos de revistas como Ranger e Look and Learn, onde os temas didácticos e culturais se combinavam, em perfeita aliança, com uma lúdica série de relatos aventurosos, no mais puro estilo realista (entre os quais avulta a fantástica série de culto The Trigan Empire, magistralmente desenhada por Don Lawrence).

Foi no Look and Learn que surgiu, em 1970, uma magnífica versão de outra célebre lenda mitológica, The Argonauts (Os Argonautas), que entre nós teve honras de publicação no Jornal do Cuto nº 112, de 24/9/1975. Apresentamos seguidamente a primeira parte dessa história, com cinco páginas, extraídas da citada revista, onde os primorosos desenhos de Caprioli tiveram reprodução condigna, embora num formato bastante menor do que aquele com que apareceram no Look and Learn.

Talvez devido ao rígido anonimato que os editores ingleses impunham aos seus colaboradores, mesmo aos estrangeiros, o trabalho de Caprioli só muito tardiamente foi reconhecido e valorizado, como era justo, num meio onde os comics, isto é, as histórias de BD, embora estivessem em franca expansão, ainda eram consideradas uma modalidade artística subalterna, para consumo juvenil, ao contrário do que, nos anos 60, já acontecia noutros países europeus.

(Nota: para ver/ler estas magníficas páginas de Caprioli em toda a sua extensão, clicar duas vezes sobre as imagens).

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Histórias inglesas de Caprioli – 2

A Lenda de Beowulf (2ª parte)

retrato-caprioliApresentamos seguidamente a 2ª e última parte de “A Lenda de Beowulf” (The legend of Beowulf), uma das mais belas histórias ilustradas por Caprioli no período em que foi colaborador da agência de Alberto Giolitti (anos 60), e também a última que realizou para revistas inglesas.

Nessa época, à míngua de trabalho na sua própria terra, depois da crise que atingiu o Il Vittorioso — a revista onde tinha publicado algumas das suas melhores obras, durante as férteis décadas de 1940 e 1950 —, Caprioli viu-se forçado, para sobreviver economicamente, a seguir o exemplo de muitos outros desenhadores italianos, recorrendo aos editores estrangeiros, sobretudo aos do Reino Unido, que pagavam bem e lhe abriram as páginas de revistas de grande circulação, como Ranger, Look and Learn, Lion, TigerTina e outras.

No mercado inglês de publicações juvenis, cada vez mais pujante na década de 1960, o único senão era a forma rígida de trabalhar de alguns editores, que deixavam aos autores pouca margem de manobra, controlando todo o processo de produção, desde os primeiros esboços até à fase final, e sobrecarregando as vinhetas com textos (quase sempre) excessivos. Além disso, impunham à maioria dos seus colaboradores o mais completo anonimato, como forma de melhor assegurarem a exclusividade do seu trabalho, que podiam reeditar todas as vezes que lhes apetecesse, sem que os autores tirassem disso o menor rendimento.

caprioli-anafi-1Por portas e travessas, estes, embora recebessem em libras esterlinas e fossem mais bem pagos do que noutros países, acabavam por ficar prejudicados. Quanto aos originais, nem pensar em reavê-los… E raramente os desenhadores residentes no estrangeiro, muitos a operar através de agências que lhes cobravam uma percentagem, tinham conhe- cimento das revistas onde as suas obras eram publicadas. No caso de Caprioli, nunca o mestre italiano deve ter posto a vista nesses trabalhos, depois de impressos, realizados em condições que certamente o confrangiam, embora lhe garantissem o bem-estar econó- mico, e que só foram conhecidos em Itália muitos anos depois, já expirado o século em que viveu e produziu tantas obras- -primas, graças ao intenso labor de sua filha Fulvia e de editores como a ANAFI (Associazione Nazionale Amici del Fumetto e dell’Illustrazione).

Recordamos, a finalizar este texto, que “A Lenda de Beowulf” foi publicada em Portugal no Mundo de Aventuras nº 103, 2ª série (18/9/1975), de onde reproduzimos as páginas que se seguem.

(Nota: para ver/ler estas magníficas páginas de Caprioli em toda a sua extensão, clicar duas vezes sobre as imagens).

Histórias inglesas de Caprioli – 1

A Lenda de Beowulf (1ª parte)

Já aqui falámos — a propósito da versão de Moby Dick (um dos romances com temas marítimos preferidos de Caprioli) realizada para a revista inglesa Ranger — da ecléctica e, em muitos casos, desconhecida obra que, nos anos 60, à míngua de trabalho na sua própria terra, depois do desaparecimento do Il Vittorioso, o grande mestre italiano teve de produzir para o ainda florescente mercado inglês.

Entre os exemplos já mencionados — com realce para Moby Dick, Os Argonautas e A Lenda de Beowulf, três histórias publicadas em revistas portuguesas, nos anos 1970 —, é digno também de apreço um episódio da emblemática série Olac the Gladiator («Olac, o Gladiador»), estreado, a cores, no almanaque anual do semanário Tiger (1961-62) e que o Pim-Pam-Pum (suplemento infantil do jornal O Século) divulgou também entre nós, em meados dos anos 1960 (*).

São alguns desses trabalhos, em que continua patente a extraordinária beleza da arte gráfica de Caprioli, que iremos apresentar, nalguns casos directamente reproduzidos das versões originais, noutros das revistas portuguesas onde tiveram esporádica tradução, como Mundo de Aventuras, Selecções, Condor Popular, Ciclone, Tarzan, Jornal do Cuto e O Preço do Triunfo.

ma-103Foi no nº 103, de 18 de Setembro de 1975, que o nome de Caprioli surgiu pela primeira vez, em grande destaque, nas páginas do Mundo de Aventuras (2ª série), com uma magnífica história realizada para o semanário Look and Learn nºs 440-451 (1970): “A Lenda de Beowulf” (The Legend of Beowulf), adaptação de um célebre conto mitológico de raízes saxónicas, onde Caprioli teve oportuni- dade de exibir o seu melhor estilo (com o famoso pontilhado), em vinhetas recheadas de imagens e peripécias memoráveis.

Pormenor curioso: na segunda vinheta da página 3, o modelo de uma das figuras femininas foi a sua própria filha Fulvia, que nessa época tinha 18 anos. Trata-se do último trabalho realizado pelo mestre italiano para revistas inglesas, pois a desvalorização da libra tinha-se reflectido também nesse mercado, tornando-o economicamente menos compensador para os desenhadores estrangeiros.

Além disso, não lhe faltavam outras oportunidades, oferecidas pela editora do Il Giornalino, um dos mais antigos e populares semanários juvenis italianos, que redescobriu o valor de Caprioli nas adaptações que este fez de algumas obras literárias de autores célebres, em especial do sempiterno Jules Verne.

(*) – Dezenas de anos depois, esse episódio de Olac, o Gladiador teve nova impressão, com as cores originais, num fanzine editado pela Câmara Municipal de Moura, no âmbito do seu Salão de BD de 2012 e da grande exposição comemorativa do centenário do “desenhador poeta”, cujos comissários foram Luiz Beira e Carlos Rico. Fanzine esse que ainda pode ser encomendado aos serviços administrativos daquela edilidade ou directamente a Carlos Rico, através do e-mail carlos.rico@cm-moura.pt

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