Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 7

Concluímos hoje a apresentação desta magnífica história de Caprioli, com argumento de Luigi Motta, que se estreou no semanário italiano Il Vittorioso, em 1949, onde foi publicada do nº 22 ao 50, sempre a quatro cores. Em Portugal, faria as honras do Cavaleiro Andante (nascido dois anos depois, em 5 de Janeiro de 1952), a par de outra aventura de ambiente exótico desenhada pelo mestre italiano, “Os Pescadores de Pérolas” (I Pescatori di Perle), que surgirá também em breve no nosso blogue.

Mas a publicação no Cavaleiro Andante, cujos primeiros números eram geralmente mal impressos, não foi isenta de muitos defeitos.

Como podem ver nas páginas que reproduzimos, houve vinhetas que sofreram cortes, total ou parcialmente: uma no nº 28, por causa do cabeçalho da revista, e outra no nº 25, devido ao cupão com o número de tiragem que habilitava ao sorteio de um rádio e uma máquina fotográfica, em todas as edições do popular semanário. Essas vinhetas foram reconstituídas nos Cadernos de Banda Desenhada nº 6 (Dezembro de 1987), que reeditou “O Elefante Sagrado” a preto e branco. Mas a versão completa, a partir do original italiano e em todo o esplendor das cores do Il Vittorioso, só agora pode ser devidamente apreciada pelos leitores portugueses (alguns dos quais são os mesmos daquele tempo).

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Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 6

Fanco Caprioli in et+á giovanileApresentamos hoje mais quatro páginas desta magnífica história de Caprioli, que em 1952, nos primeiros números do Cavaleiro Andante, fez com que um grande número de jovens portugueses descobrissem o talento de um artista de que nunca tinham ouvido falar — embora a sua carreira como autor de histórias aos quadradinhos já tivesse começado há 15 anos, nos novos semanários italianos Il Vittorioso e Argentovivo! —, ficando também rendidos, como os de outros países, à clareza e harmonia do seu traço, à clássica perfeição das suas figuras finamente pontilhadas, ao sortilégio das suas paisagens exóticas e dos seus mares revoltos, assolados por tempestades que nenhum outro desenhador era capaz de retratar com tamanha magnificência.

Através dessas maravilhosas imagens, os leitores podiam viajar espiritualmente num mundo onde não imperava a violência, mas a justiça, a amizade, a coragem, a aventura, a fantasia, o exotismo. Um mundo desconhecido e poético, mas natural, feito à medida dos seus sonhos e dos sonhos de Caprioli.

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Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 5

Continuamos a apresentar esta maravilhosa história ilustrada por Caprioli, com argumento de Luigi Motta, que tem por cenário as miste- riosas e luxuriantes regiões da Índia, na primeira metade do século XIX, e por protagonista um jovem órfão, vendedor de pequenas estatuetas — que ele próprio habilmente esculpia —, a quem um capricho do destino fez embarcar como grumete numa viagem de longo curso e aportar a paragens desconhecidas, depois do naufrágio do veleiro mercante que dissera adeus à sua terra natal, em Itália, alguns meses antes.

Nesse longínquo país do Oriente, onde encontrou também um novo lar, em contacto com uma cultura milenária cujo exótico esplendor o fascinaria para sempre, Rudi (ou Ângelo, na versão portuguesa) ia viver uma fantástica aventura, recheada de emoções, de surpresas, de feitos heróicos, de mistérios e sortilégios que ultrapassavam a sua imaginação, de perigos ocultos no interior de majestosos templos e de traiçoeiras florestas virgens.

Como já largamente referimos, “O Elefante Sagrado” estreou-se em Portugal no primeiro número do Cavaleiro Andante, revista que, em Janeiro de 1952, suce- deu ao Diabrete, tornando-se um dos mais populares semanários do seu género, lido por muitos milhares de jovens e no qual as histórias aos quadradinhos europeias — particularmente as magistrais criações de Franco Caprioli — tiveram sempre lugar de destaque… embora publicadas geralmente em bicromia ou a preto e branco, sem o deslumbrante colorido das páginas do Il Vittorioso.

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Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 4

Apresentamos hoje mais algumas páginas desta magnífica história ilustrada por Caprioli, com argumento de Luigi Motta, que enceta um novo capítulo, desenrolando-se daqui em diante nas profundezas selváticas e misteriosas da Índia, quando Ângelo (Rudi), um jovem órfão que todos admiram por causa das maravilhosas estatuetas que cria, deixa a paz da sua nova existência para procurar a filha de um marajá tragicamente desaparecida.

Pinttura dal vero, anni quaranta, con la moglie Francesca Duranti copyRecordamos que “O Elefante Sagrado” teve honras de publicação no Cavaleiro Andante, em 1952, do nº 1 ao 29, e que em Itália surgiu no Il Vittorioso, em 1949, do nº 22 ao 50. Note-se que a  numeração desta revista era feita por volumes, correspon- dendo cada um deles a um ano completo. Em 1949, o Il Vittorioso (onde Caprioli colaborou desde o 1º número) já ia no seu 13º ano de publicação… enquanto que o Cavaleiro Andante, o novo “camaradão” da juventude portuguesa, dirigido também por Adolfo Simões Müller, ainda não sucedera ao Diabrete, para o qual os tempos corriam de feição no despique com o seu velho rival O Mosquito (nascido um ano antes do Il Vittorioso).

Nenhum leitor, nem mesmo o mais entusiasta, sonhava que uma revista nos moldes do Cavaleiro Andante pudesse substituir o Diabrete, três anos depois… revelando-lhe, logo nos primeiros números, o nome de um grande desenhador como Franco Caprioli, que, nessa altura, já era conhecido e admirado noutros países da Europa. Mas foi em Portugal que a sua popularidade atingiu o auge, fora de Itália, cimentando uma relação com os leitores que durou muitas décadas, como ficou provado aquando das celebrações do seu centenário (2012), realizadas com grande solenidade em Moura e em Viseu, pelos respectivos Salões de BD, com o apoio dos seus municípios e do Gicav.

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Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 3

Tigre Caprioli911Eis mais quatro páginas desta maravilhosa aventura ilustrada por Franco Caprioli, que a partir daqui se desenrola nas exóticas e misteriosas regiões da Índia, entre marajás, palácios faustosos, templos dedicados a deuses sangrentos e florestas onde espreitam tigres, panteras… e thugs, membros de uma fanática seita, tão furtivos e ameaçadores como os animais selvagens que rondam quem se atreve a penetrar na selva.

A Índia do século XIX, cheia de segredos, de sortilégios e de perigos, símbolo do exotismo e da fascinação do enigmático Oriente, era um dos cenários preferidos de dois escritores famosos, Emilio Salgari e Luigi Motta — este, aliás, responsável pelo argumento que Caprioli, no auge da sua carreira, ilustrou de forma soberba, a tal ponto que muitos leitores (entre os quais me incluo) consideram L’Elefante Sacro uma das suas maiores obras-primas.

Ídolo Caprioli 912Quero, por isso, chamar a atenção para um pormenor que mostra a grande diferença que existia, sobretudo a nível gráfico, entre o Il Vittorioso e o Cavaleiro Andante: neste, por causa do formato mais reduzido, era hábito, com demasiada frequência, fazer cortes nas pranchas, normalmente em altura, mutilando os desenhos numa superfície de vários milímetros (como se nota no rodapé da última página deste grupo de quatro). Mas poucas reclamações devem ter chegado à redacção, porque os leitores mais jovens, a “arraia miúda” que formava o grosso das hostes, não se apercebiam dessas falhas ou não lhes ligavam grande importância.

Os problemas gráficos e de ordem estética eram comuns no Cavaleiro Andante (e noutras publicações suas congéneres), estendendo-se às capas quando nelas aparecia uma página inteira de BD em vez de uma ilustração, pois o cabeçalho com o título da revista ocupava muito espaço, obrigando à supressão de uma vinheta, no todo ou em parte, disso se ressentindo, é claro, a obra do desenhador. Tal acontecia também na contracapa, onde uma das últimas vinhetas ficava sempre incompleta por causa do cupão com um número (correspondente à tiragem) que habilitava ao sorteio de aliciantes prémios. Nem “O Elefante Sagrado” escapou a esse cupão de mau gosto!

Outros tempos, outros hábitos, outro (menor) rigor… e outras formas de promover o interesse e a fidelidade do público juvenil.

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Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 2

Apresentamos seguidamente o 2º episódio de uma das melhores histórias ilustradas por Franco Caprioli,  “O Elefante Sagrado” (L’Elefante Sacro), nas versões portuguesa e italiana, reproduzidas respectivamente do Cavaleiro Andante nºs 6 a 9 (1952), e de um álbum editado por Camillo Conti em 1989.
É quase impossível ficar indiferente ao cotejo entre a pálida bicromia de algumas páginas do Cavaleiro Andante e o vistoso colorido do álbum italiano, fiel à publicação original na revista Il Vittorioso, que primava pela apresentação, pelo formato e pela qualidade artística do seu material e dos seus colaboradores, com destaque para o fôlego épico, o ambiente exótico e o fundo moralista das histórias realizadas com mão de mestre por Caprioli.

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Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 1

mompeo-ri-anni-settanta2Em 2012 celebrou-se o centenário do nascimento de Francesco (Franco) Caprioli, um dos artistas e autores de BD que ainda hoje mais admiro e que ficou conhecido pelo cognome de “poeta do mar”, devido ao seu fascínio pelas ilhas dos Mares do Sul e pelos ambientes exóticos e marítimos, que retratou com incomparável mestria.

Descobri-o nas páginas do saudoso Cavaleiro Andante (que comecei a ler desde o 1º número), e o meu apreço pelo seu enorme e poético talento de ilustrador foi sempre aumentando, à medida que iam surgindo outras criações suas no Cavaleiro Andante (e respectivos Álbuns e Números Especiais), Zorro, Jornal do Cuto e Mundo de Aventuras, antes da publicação em álbum de algumas das obras mais significativas da última fase da sua carreira, como as adaptações que fez de quatro célebres romances de Jules Verne: “A Ilha Misteriosa”, “Um Capitão de 15 Anos”, “Miguel Strogoff” e “Os Filhos do Capitão Grant”.

Capa revista Caprioli 150Algumas pranchas com reproduções destas e de outras histórias, num longo percurso artístico de quase 40 anos — iniciado em 1937 nas páginas de duas revistas juvenis, ArgentovivoIl Vittorioso — estiveram patentes nas exposições do centenário que lhe foram dedicadas em Portugal, nos meses de Junho e Agosto de 2012, por iniciativa do Salão de Moura e do Gicav de Viseu, com Luís Beira e Carlos Rico, dois nomes incontornáveis do nosso panorama bedéfilo, no papel de activos e zelosos comissários. Também nessa altura foram editados pelas mesmas entidades um fanzine e um e-book (DVD), que tive a honra e o prazer de coordenar, com muitos excertos da obra de Caprioli — e ainda possivelmente disponíveis para quem estiver interessado, basta contactar o Carlos Rico (Câmara Municipal de Moura) e o Gicav – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu.

O ano e as comemorações do centenário — que tiveram a valiosa colaboração de Fulvia Caprioli, filha do grande Mestre italiano — já passaram, mas queremos prolongá-las, intemporalmente, neste blogue, inaugurando um ciclo dedicado a Caprioli, com a reprodução de algumas das suas primeiras histórias publicadas no nosso país, a começar por uma das mais famosas: “O Elefante Sagrado” (L’Elefante Sacro), apresentada do nº 1 ao nº 29 do Cavaleiro Andante (5 de Janeiro a 19 de Julho de 1952) e reeditada em Dezembro de 1987, a preto e branco, no nº 6 dos Cadernos de Banda Desenhada, efémero projecto editorial a que a Catherine Labey, eu e mais dois amigos metemos ombros, quando éramos mais jovens e mais sonhadores.

ELEFANTE SAGRADO - TRIGOParece-me, para todos os efeitos, uma boa maneira de inaugurar este blogue… Mas não iremos apresentar somente as páginas do Cavaleiro Andante, completadas com a esplêndida e deco- rativa ilustração de Fernando Bento que saiu na capa do seu nº 10. Com a devida (e gentilíssima) autorização de Fulvia Caprioli, a quem muito agra- decemos, mostraremos também, em simultâneo, as páginas originais, em grupos de quatro, para que os nossos potenciais leitores — a partir desta data — possam detidamente apreciá-las, comparando a impressão a duas cores e a preto e branco (não isenta de muitos defeitos) do Cavaleiro Andante com o sedutor aspecto cromático das páginas do Il Vittorioso, revista semanal e de grande formato que fazia inveja às revistas portuguesas (e a muitas outras) do seu tempo. Neste caso, reproduzimo-las do álbum editado em 1989 pelas Edizioni Camillo Conti, na magnífica série dedicada a Caprioli.

Quem quiser ler uma biografia do Mestre italiano e apreciar mais alguns dos seus desenhos, pode consultar o blogue da Catherine, em português e francês,  lechatdanstousesetats.wordpress.com  (“Gatos, gatinhos e gatarrões“), na categoria I gatti di Franco Caprioli, dedicado aos seus (e meus também) amados bichanos de quatro patas.

Resta indicar que L’Elefante Sacro, uma das criações formalmente mais deslumbrantes de Caprioli, teve a sua primeira publicação em 1949, nos nºs 22 a 50 do Il Vittorioso, com argumento de Luigi Motta, autor de numerosos romances de aventuras em que se reflecte a influência do seu mestre e amigo Emilio Salgari, alguns dos quais foram também traduzidos e publicados no nosso país pela popular editora Romano Torres.

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