Obras-primas: Os Pescadores de Pérolas (I Pescatori di Perle) – 1

Os Pescadores de Pérolas Capa CA 12Continuando esta retrospectiva dedicada ao período áureo de Caprioli — depois da publicação de “O Elefante Sagrado” (L’Elefante Sacro), com argumento de Luigi Motta —, apresentamos hoje as primeiras páginas de “Os Pescadores de Pérolas” (I Pescatori di Perle), outra aventura iniciada no nº 1 do Cavaleiro Andante e que, pela sua trama histórica, se reveste para nós, portugueses, de um interesse especial.

Desenrolada em Ceilão, no início do século XVII, época em que a “lusa grei” ainda dominava essa grande ilha do Índico, que hoje tem o nome de Sri Lanka, centra-se nas lutas entre portugueses e holandeses, quando estes invadiram a ilha e os indígenas — os povos cingaleses que viviam em paz com os colonos europeus — foram obrigados a tomar partido.

Com guião de Roudolph (Raoul Traverso), foi publicada também no Il Vittorioso nºs 1 a 18, de 1 de Janeiro a 30 de Abril de 1950, logo a seguir a L’Elefante Sacro. As páginas originais que apresentamos são oriundas de um álbum dado à estampa em 1996 pelo editor Camilo Conti.

Merece destaque a capa desenhada por Fernando Bento, que o Cavaleiro Andante dedicou a esta magnífica história de Caprioli, no seu nº 12, de 22 de Março de 1952. Boa leitura!

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Caprioli no “Tintin” belga – 2

Tintin 2 1950A propósito da aventura “O Elefante Sagrado”, primorosamente ilustrada por Caprioli e com argumento do escritor salgariano Luigi Motta, já referimos que ela foi também publi- cada no popular semanário belga Tintin, estreando-se no nº 2, de 12 de Janeiro de 1950, e terminando no nº 30, de 17 de Julho do mesmo ano.

Tal como o Il Vittorioso, a revista italiana onde esta e muitas outras histórias de Caprioli foram apre- sentadas pela primeira vez, o Tintin belga também era numerado por volumes, correspondendo cada ano, geralmente com 52 números, a um volume completo.

Assim, foi no 5º ano desta prestigiosa revista, que era lida também por muitos jovens portugueses — numa época em que o francês constituía uma das línguas de ensino obrigatório do nosso 1º ciclo liceal —, que Caprioli iniciou o seu percurso em terras francófonas, ombreando com os melhores colaboradores do Tintin, como Hergé, Jacobs, Cuvelier, Martin, Laudy, embora ainda de forma anónima, ao contrário da prática vigente no Il Vittorioso, onde o seu nome já se tornara sinónimo de virtuosismo, beleza e perfeição artística.

Tintin 20 1950Depois de “L’Éléphant Sacré”, o Tintin publicou “La Rose du Dungeon”, história de ambiente medieval (em torno da figura de S. Francisco de Assis), que se intitulava originalmente “Rose fra le Torri” e que nas páginas do Cavaleiro Andante foi baptizada com um título mais heróico: “O Fugitivo da Torre Vermelha”. “Les Pêcheurs de Perles” (“Os Pescadores de Pérolas”), cujo enredo se desenrolava noutra época histórica, entre os naturais da paradisíaca ilha de Ceilão, viria a seguir…

Apresentamos neste post mais algumas páginas de“L’Éléphant Sacré”, esperando satisfazer a curiosidade de todos os que se interessam pela obra desse grande mestre da BD italiana (e mundial) que foi Franco Caprioli. Resta acrescentar que o Tintin não lhe concedeu honras de capa, ficando assim aquém do destaque que o Cavaleiro Andante soube, desde os primeiros números, dar às histórias ilustradas por Caprioli, recorrendo, por vezes, ao traço de outro talentoso colaborador, Fernando Bento, para celebrar nas suas capas a magia de um novo, deslumbrante e exótico manancial de aventuras.

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Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 1

mompeo-ri-anni-settanta2Em 2012 celebrou-se o centenário do nascimento de Francesco (Franco) Caprioli, um dos artistas e autores de BD que ainda hoje mais admiro e que ficou conhecido pelo cognome de “poeta do mar”, devido ao seu fascínio pelas ilhas dos Mares do Sul e pelos ambientes exóticos e marítimos, que retratou com incomparável mestria.

Descobri-o nas páginas do saudoso Cavaleiro Andante (que comecei a ler desde o 1º número), e o meu apreço pelo seu enorme e poético talento de ilustrador foi sempre aumentando, à medida que iam surgindo outras criações suas no Cavaleiro Andante (e respectivos Álbuns e Números Especiais), Zorro, Jornal do Cuto e Mundo de Aventuras, antes da publicação em álbum de algumas das obras mais significativas da última fase da sua carreira, como as adaptações que fez de quatro célebres romances de Jules Verne: “A Ilha Misteriosa”, “Um Capitão de 15 Anos”, “Miguel Strogoff” e “Os Filhos do Capitão Grant”.

Capa revista Caprioli 150Algumas pranchas com reproduções destas e de outras histórias, num longo percurso artístico de quase 40 anos — iniciado em 1937 nas páginas de duas revistas juvenis, ArgentovivoIl Vittorioso — estiveram patentes nas exposições do centenário que lhe foram dedicadas em Portugal, nos meses de Junho e Agosto de 2012, por iniciativa do Salão de Moura e do Gicav de Viseu, com Luís Beira e Carlos Rico, dois nomes incontornáveis do nosso panorama bedéfilo, no papel de activos e zelosos comissários. Também nessa altura foram editados pelas mesmas entidades um fanzine e um e-book (DVD), que tive a honra e o prazer de coordenar, com muitos excertos da obra de Caprioli — e ainda possivelmente disponíveis para quem estiver interessado, basta contactar o Carlos Rico (Câmara Municipal de Moura) e o Gicav – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu.

O ano e as comemorações do centenário — que tiveram a valiosa colaboração de Fulvia Caprioli, filha do grande Mestre italiano — já passaram, mas queremos prolongá-las, intemporalmente, neste blogue, inaugurando um ciclo dedicado a Caprioli, com a reprodução de algumas das suas primeiras histórias publicadas no nosso país, a começar por uma das mais famosas: “O Elefante Sagrado” (L’Elefante Sacro), apresentada do nº 1 ao nº 29 do Cavaleiro Andante (5 de Janeiro a 19 de Julho de 1952) e reeditada em Dezembro de 1987, a preto e branco, no nº 6 dos Cadernos de Banda Desenhada, efémero projecto editorial a que a Catherine Labey, eu e mais dois amigos metemos ombros, quando éramos mais jovens e mais sonhadores.

ELEFANTE SAGRADO - TRIGOParece-me, para todos os efeitos, uma boa maneira de inaugurar este blogue… Mas não iremos apresentar somente as páginas do Cavaleiro Andante, completadas com a esplêndida e deco- rativa ilustração de Fernando Bento que saiu na capa do seu nº 10. Com a devida (e gentilíssima) autorização de Fulvia Caprioli, a quem muito agra- decemos, mostraremos também, em simultâneo, as páginas originais, em grupos de quatro, para que os nossos potenciais leitores — a partir desta data — possam detidamente apreciá-las, comparando a impressão a duas cores e a preto e branco (não isenta de muitos defeitos) do Cavaleiro Andante com o sedutor aspecto cromático das páginas do Il Vittorioso, revista semanal e de grande formato que fazia inveja às revistas portuguesas (e a muitas outras) do seu tempo. Neste caso, reproduzimo-las do álbum editado em 1989 pelas Edizioni Camillo Conti, na magnífica série dedicada a Caprioli.

Quem quiser ler uma biografia do Mestre italiano e apreciar mais alguns dos seus desenhos, pode consultar o blogue da Catherine, em português e francês,  lechatdanstousesetats.wordpress.com  (“Gatos, gatinhos e gatarrões“), na categoria I gatti di Franco Caprioli, dedicado aos seus (e meus também) amados bichanos de quatro patas.

Resta indicar que L’Elefante Sacro, uma das criações formalmente mais deslumbrantes de Caprioli, teve a sua primeira publicação em 1949, nos nºs 22 a 50 do Il Vittorioso, com argumento de Luigi Motta, autor de numerosos romances de aventuras em que se reflecte a influência do seu mestre e amigo Emilio Salgari, alguns dos quais foram também traduzidos e publicados no nosso país pela popular editora Romano Torres.

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