Histórias do mar – 3

Dando seguimento à divulgação de um trabalho de Jorge Magalhães publicado em 2012 pela Câmara Municipal de Moura e pelo Grupo Gicav (de Viseu), no âmbito da exposição comemorativa do centenário de Franco Caprioli, o desenhador poeta, apresentamos mais oito páginas de outro capítulo do e-book editado pelo Gicav, com uma pequena tiragem de 50 exemplares.

Neste capítulo, dedicado às histórias do mar, um dos temas favoritos de Caprioli, figuram três episódios reproduzidos do semanário Il Giornalino, onde é bem patente a perfeição com que o mestre italiano retratava o mar e os seus habitantes, os navios e os homens que os manobravam.

A terceira dessas histórias (todas de ambiente contemporâneo), com argumento de O. Saibari, baseado em factos verídicos, intitula-se “Balene d’assalto” e foi publicada no nº 22 (1973) da citada revista juvenil, que para Caprioli constituiu um ponto de viragem no último período da sua carreira.

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2º aniversário!

Com este “post”, o nosso blogue soma 25 meses de publicação ininterrupta, comemorando modestamente, mas com a satisfação do dever cumprido, o seu 2º aniversário, e preparando-se para iniciar nova trajectória, com o apoio e o estímulo dos internautas que continuamente nos visitam.

Mas o que mais importa celebrar neste dia 28 de Junho é o aniversário de Fulvia Caprioli, filha dilecta do grande Mestre a quem este blogue é dedicado, num preito de homenagem à sua memória e à sua magnífica obra de ilustrador e autor de BD, que tantos admiradores conta ainda em Portugal e no mundo inteiro.

Muitos parabéns, Fulvia!

Histórias inglesas de Caprioli – 6

“Um coco salvou 11 homens”

Oriundo do Lion, de 26/11/1966 (revista inglesa sem numeração, publicada às 2ªs feiras, onde Caprioli colaborou largamente, mas apenas com histórias curtas), este episódio da série Bravest of the Brave descreve a heróica odisseia vivida nos mares do Pacífico por uma das personalidades mais famosas da história dos Estados Unidos da América, o futuro Presidente John Fitzgerald Kennedy, que foi oficial da Marinha, com brilhante folha de serviços (citado até por heroísmo), durante a 2ª Guerra Mundial.

Nascido em 29 de Maio de 1917, Kennedy tornou-se Presidente em 1961 e foi assassinado em Dallas (Texas), em 22 de Novembro de 1963.

A título de curiosidade, reproduzimos o mesmo episódio tal como apareceu no Mundo de Aventuras nº 1079 (1ª série), de 28/5/1970, com o título “Um coco salvou onze homens” e num formato mais reduzido, que obrigou a vários cortes nos desenhos (e a outras “tropelias”), como podem ver mais abaixo.

Caprioli e a religião – 2

A propósito da recente visita do Papa Francisco a Portugal, para oficiar as cerimónias de canonização dos três Pastorinhos — tornando, com as suas homilias que inspiram milhões de fiéis, a mensagem de Fátima ainda mais universal —, é oportuno recordar a figura de outro Papa, Pio X, a quem Caprioli dedicou uma das suas histórias de temática religiosa, desta vez explicitamente centrada numa abordagem biográfica, com a expressividade, o rigor, o verismo de época, a harmonia estética, que sempre foram apanágio do seu estilo.

Essa curta biografia de Pio X (1835-1914), um dos maiores pontífices da Igreja Católica, de origem italiana, canonizado em 1954, foi publicada nesse mesmo ano no semanário juvenil Il Giornalino, com o título “Il Papa Santo”.

Aqui fica uma das suas páginas, reproduzida do opúsculo Franco Caprioli – Fantasia a Puntini (edição da Anafi), para conhecimento dos admiradores portugueses do grande mestre italiano.

Histórias do mar – 2

Dando seguimento à divulgação de um trabalho publicado em 2012 pela Câmara Municipal de Moura e pelo Grupo Gicav (de Viseu), no âmbito da exposição comemorativa do centenário de Franco Caprioli, o desenhador poeta, apresentamos mais oito páginas de outro capítulo do e-book editado pelo Gicav, com uma pequena tiragem de 50 exemplares.

Neste capítulo, dedicado às histórias do mar, um dos temas favoritos de Caprioli, figuram três episódios reproduzidos do semanário Il Giornalino, onde é bem patente a perfeição com que o mestre italiano retratava o mar, os navios e os homens que os manobravam.

A segunda dessas histórias, com texto de um notável argumentista, Roudolph (Raoul Traverso), intitula-se “Il mozzo del Sant’Elia” e aqui a têm, na sua versão original, publicada no nº 18 (1972) da citada revista.

Os rivais de Caprioli – 1

“INOCENTE DE QUALQUER CRIME!”

Página ilustrada por Ruggero Giovannini (1922-1983) e publicada na contracapa do Mundo de Aventuras nº 856, de 17 de Fevereiro de 1966.

 BREVE BIOGRAFIA DE GIOVANNINI

Giovaninni, um dos “monstros sagrados” do fumetto italiano (dez anos mais novo do que Caprioli), iniciou a sua prolífica carreira ainda muito jovem nas páginas do semanário católico Il Vittorioso, onde se tornou um dos mais representativos discípulos da “escola” americana, influenciado pelo estilo de desenhadores como Will Gould e Milton Caniff

Mestre do claro-escuro, com um grande domínio do movimento e da técnica narrativa, mas sempre insatisfeito, em busca da síntese gráfica e do dinamismo na estilização, Giovaninni abordou histórias e personagens de todos os géneros (excepto a ficção científica), que nas suas mãos pareciam adquirir uma estética nova, realçada pelo vigor expressionista do traço.

Desde os aventureiros e exploradores como Jim Brady e Mister V (em cujas rocambolescas peripécias não faltava um toque humorístico), dos índios e dos cowboys de “Sombras Selvagens”, “As Grandes Águas”, “A Vingança de Mocassin Rosso” e “A Última Fronteira”, até aos guerreiros do Império Romano, das Cruzadas e do Japão, retratados com fidelidade e esplendor formal, na melhor tradição do Il Vittorioso, em “Ego Lucius” (inédito entre nós), “O Nome Escrito na Água”, “A Cruz Sobre o Peito”, “Os Guerrilheiros de S. Marcos”, “O Sino dos Cavaleiros” e “O Juramento dos Samurais” (esta, sem dúvida, uma das obras mais notáveis da primeira fase da sua carreira).

Muitos dos seus trabalhos, abrangendo quatro décadas, figuram no sumário do Cavaleiro Andante (idem Álbuns e Números Especiais) e de outras revistas juvenis, como Mundo de Aventuras, Condor, Titã, Colecção Alvo, Condor Popular, O Falcão Jornal do Cuto. Registe-se também um álbum publicado pela Editorial SEL, com o título Vikings – Os Lobos do Norte.

Giovaninni distinguiu-se, entre os autores de BD da sua geração, pela facilidade em retratar ambientes históricos, género em que viria a especializar-se, tanto no Il Vittorioso como em revistas inglesas, para as quais começou a trabalhar nos anos 1960, produzindo inúmeras criações com um traço sempre estilizado e a sua refinada técnica do preto e branco.

Entre as suas “coroas de glória” desse período destacam-se as adaptações de vários clássicos literários, como Ben-Hur (na imagem supra), Os Três Mosqueteiros e O Último dos Moicanos, e em particular a série Olac, o Gladiador, que partilhou com outros desenhadores no semanário Tiger, mas onde ficou gravada a sua marca indelével de mestre do estilo realista e das narrativas de temática histórica. Olac foi um dos heróis mais célebres da BD inglesa e fez também as delícias dos leitores do Mundo de Aventuras, que publicou vários episódios.

Outra série de temática semelhante, com o traço de Giovannini, é Wulf the Britton (continuada, depois dele, por Ron Embleton), que em Portugal teve honras de publicação n’O Falcão, formato grande, com o título nos primeiros episódios de “O Preço da Liberdade”.

Durante os últimos anos de vida, Giovannini colaborou no Il Giornalino, outra célebre revista italiana, para a qual produziu excelentes séries como Capitan Erik, Ricky e I Biondi Lupi del Nord. Morreu prematuramente na sua cidade natal, Roma, em 5 de Março de 1983, com 61 anos apenas (por coincidência, a mesma idade com que desapareceu Caprioli).

Histórias inglesas de Caprioli – 5

Olac, o Gladiador: “Os Rivais Bretões”

A propósito deste tema, já aqui apresentámos algumas histórias reali- zadas por Caprioli quando colaborou assiduamente com o estúdio de Alberto Giolitti, outro desenhador italiano de grande craveira que, à míngua de oportunidades na sua terra, decidiu tentar a sorte noutras paragens, onde o mercado de BD era mais florescente (e mais rentável), conseguindo que vários editores ingleses começassem a dar apreço aos artistas transalpinos.

Caprioli, a braços também com problemas económicos, devido ao sucessivo cancelamento de várias revistas que publicavam os seus trabalhos, aproveitou a ocasião sem hesitar, embora sabendo que nas revistas inglesas de BD, salvo raras excepções, imperava o anonimato dos seus colaboradores, tanto literários como artísticos. Sobretudo a Fleetway-IPC fazia “vista grossa” aos direitos de autor, a coberto dessa regra, ficando com os originais e vendendo material ao estrangeiro sem pagar mais verbas aos respectivos autores. Mas a necessidade obrigava os desenhadores italianos (e de outros países) a aceitar essas condições, tanto mais que a libra era uma moeda forte e as encomendas não faltavam.

Ao serviço do Estúdio Giolitti, Caprioli ilustrou vários guiões para revistas inglesas, come- çando por um episódio da série “Olac, o Gladiador”, que foi publicado, com cores garridas, no almanaque Tiger Annual de 1962. Uma nota humorís- tica de Caprioli que merece destaque: na última vinheta desta história é bem visível o primeiro nome do artista, em inglês. Resta saber se a sua assinatura passou despercebida ao editor do Tiger Annual ou se este achou graça à ideia!

A verdade é que numa célebre revista da concorrência (a Eagle), onde eram devida- mente publicitados os nomes dos seus autores, campeavam dois outros Frank’s, de glorioso apelido: Hampson e Bellamy. Caprioli, ao entrar no reino da BD inglesa, estava, pois, em boa companhia, embora nenhum leitor da velha Albion conhecesse ainda o seu nome e a sua origem… o que só viria a acontecer muitos anos depois, quando esses leitores já tinham atingido a meia-idade!

Lamentavelmente, Caprioli não foi convidado a desenhar mais nenhum episódio de “Olac, o Gladiador” — série que passou também pelas mãos de Don Lawrence, Ruggero Giovannini, Carlos Roume e outros grandes desenhadores dessa época (e da qual há vários episódios publicados no Mundo de Aventuras e noutras revistas portuguesas).

Esta breve aventura do heróico gladiador bretão surgiu também, a preto e branco, nas páginas do Pim-Pam-Pum (saudoso suplemento infantil do jornal O Século, publicado à 5ª feira), em meados dos anos 60. Muito tempo depois, teve nova impressão, com as cores originais, num magnífico fanzine editado, em 2012, pela Câmara Municipal de Moura, no âmbito do seu Salão de BD e de uma exposição comemorativa do centenário do “desenhador poeta”, que esteve também patente em Viseu, nesse mesmo ano, por iniciativa do Gicav – Grupo de Intervenção Cultural e Artística de Viseu.

São essas páginas que a seguir reproduzimos. Boa leitura, com a deslumbrante arte de Caprioli! (Para ver/ler as imagens em toda a sua extensão, clique duas vezes sobre as mesmas).

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