Histórias do mar – 3

Dando seguimento à divulgação de um trabalho de Jorge Magalhães publicado em 2012 pela Câmara Municipal de Moura e pelo Grupo Gicav (de Viseu), no âmbito da exposição comemorativa do centenário de Franco Caprioli, o desenhador poeta, apresentamos mais oito páginas de outro capítulo do e-book editado pelo Gicav, com uma pequena tiragem de 50 exemplares.

Neste capítulo, dedicado às histórias do mar, um dos temas favoritos de Caprioli, figuram três episódios reproduzidos do semanário Il Giornalino, onde é bem patente a perfeição com que o mestre italiano retratava o mar e os seus habitantes, os navios e os homens que os manobravam.

A terceira dessas histórias (todas de ambiente contemporâneo), com argumento de O. Saibari, baseado em factos verídicos, intitula-se “Balene d’assalto” e foi publicada no nº 22 (1973) da citada revista juvenil, que para Caprioli constituiu um ponto de viragem no último período da sua carreira.

Caprioli e a religião – 2

A propósito da recente visita do Papa Francisco a Portugal, para oficiar as cerimónias de canonização dos três Pastorinhos — tornando, com as suas homilias que inspiram milhões de fiéis, a mensagem de Fátima ainda mais universal —, é oportuno recordar a figura de outro Papa, Pio X, a quem Caprioli dedicou uma das suas histórias de temática religiosa, desta vez explicitamente centrada numa abordagem biográfica, com a expressividade, o rigor, o verismo de época, a harmonia estética, que sempre foram apanágio do seu estilo.

Essa curta biografia de Pio X (1835-1914), um dos maiores pontífices da Igreja Católica, de origem italiana, canonizado em 1954, foi publicada nesse mesmo ano no semanário juvenil Il Giornalino, com o título “Il Papa Santo”.

Aqui fica uma das suas páginas, reproduzida do opúsculo Franco Caprioli – Fantasia a Puntini (edição da Anafi), para conhecimento dos admiradores portugueses do grande mestre italiano.

Histórias do mar – 2

Dando seguimento à divulgação de um trabalho publicado em 2012 pela Câmara Municipal de Moura e pelo Grupo Gicav (de Viseu), no âmbito da exposição comemorativa do centenário de Franco Caprioli, o desenhador poeta, apresentamos mais oito páginas de outro capítulo do e-book editado pelo Gicav, com uma pequena tiragem de 50 exemplares.

Neste capítulo, dedicado às histórias do mar, um dos temas favoritos de Caprioli, figuram três episódios reproduzidos do semanário Il Giornalino, onde é bem patente a perfeição com que o mestre italiano retratava o mar, os navios e os homens que os manobravam.

A segunda dessas histórias, com texto de um notável argumentista, Roudolph (Raoul Traverso), intitula-se “Il mozzo del Sant’Elia” e aqui a têm, na sua versão original, publicada no nº 18 (1972) da citada revista.

Histórias do mar – 1

Dando seguimento à divulgação de um trabalho publicado em 2012 pela Câmara Municipal de Moura e pelo Gicav (de Viseu), no âmbito da exposição comemorativa do centenário de Franco Caprioli, o desenhador poeta, apresentamos mais abaixo as primeiras oito páginas de outro capítulo do e-book editado pelo Gicav, com uma pequena tiragem de 50 exemplares (o que o torna, como é óbvio, uma peça de colecção extremamente rara).

Neste capítulo, dedicado às histórias do mar, um dos temas favoritos de Caprioli, figuram três episódios baseados em factos verídicos, reproduzidos do semanário Il Giornalino, onde o ilustre mestre italiano colaborou assiduamente, na última etapa da sua longa carreira, após um período crítico em que foi obrigado (como alguns dos seus colegas) a trabalhar anonimamente para publicações estrangeiras.

A primeira dessas histórias intitula-se “Capitan Gambe di Legno” (Capitão Pernas de Pau) e é bem patente em todas as suas imagens a perfeição com que Caprioli retratava o mar, os navios e os homens que os manobravam — mesmo sem ter sido um experiente navegador como Conrad, Melville e Stevenson, escritores que profundamente admirava e cujos tópicos influenciaram muitas das suas inolvidáveis aventuras marítimas.

Caprioli no “Mundo de Aventuras”

mompeo-ri-anni-settanta2Como já aqui foi referido (ver o post anterior), Caprioli surgiu várias vezes no Mundo de Aventuras (MA), ainda na fase de pequeno formato deste popular semanário juvenil, com histórias curtas realizadas para o mercado inglês, durante a década de 1960, através da agência do seu colega e compatriota Alberto Giolitti. Como essas histórias não tinham assinatura (norma draconiana imposta pelas redacções das revistas inglesas à maioria dos seus colaboradores), só os leitores mais avisados saberiam distinguir nas imagens impressas o estilo do mestre italiano. Mas, no caso de Caprioli, a assinatura era um pormenor de somenos importância, porque o que identificava à primeira vista os seus trabalhos era a harmonia da forma e a beleza do traço, sempre límpido e rigoroso, aliando a perfeição estética à liturgia poética e documental.

Nesse formato da 1ª série, ultrapassado já o nº 1000, o Mundo de Aventuras publicou algumas histórias baseadas em factos verídicos, oriundas de uma rubrica criada na revista inglesa Lion, sob a epígrafe Bravest of the Brave (Os Mais Valentes dos Valentes), onde eram evocados feitos como os do capitão Robert Scott, que morreu heroicamente na tentativa de ser o primeiro explorador a alcançar o Polo Sul, e de um jovem oficial de Marinha que se distinguiu na Segunda Guerra Mundial, de seu nome John Fitzgerald Kennedy, futuro Presidente dos Estados Unidos da América.

Geralmente essas histórias não tinham mais de duas ou três páginas, permitindo que fossem apresentadas no Mundo de Aventuras como complemento do sumário principal e sem serem sujeitas aos inevitáveis cortes e retoques por causa do reduzido formato da revista. Algumas foram traduzidas por Raul Correia, assíduo colaborador do Mundo de Aventuras e de outras publicações da Agência Portuguesa de Revistas. Aqui fica uma resenha desses episódios, com os títulos em português e inglês e os correspondentes números do MA:

Luta em “O Álamo” (Remember the Alamo!), nº 1010 – O Náufrago do “Rohilla” (The Wreck of the “Rohilla”), nº 1014 –  O Cerco de Pequim (The Siege of Peking), nº 1019 – A História do “Flying Enterprise” (The Story of the “Flying Enterprise”), nº 1029 – A Última Batalha do “Vingador” (The Last Battle of the “Revenge”), nº 1078 – Um Coco Salvou Onze Homens (A Coconut Saved Eleven Men), nº 1079.

Mas não foi só o Mundo de Aventuras a dar à estampa estas curtas histórias com desenhos de Caprioli, pois encontram-se também vários episódios, lamentavel- mente remontados (para não dizer “escortanhados”) em páginas de revistas de formato ainda mais pequeno, como Condor Popular, Ciclone e O Preço do Triunfo. Alguns desses episódios — a começar por “O Rapaz Que Conquistou um Império” — serão tema de futuros artigos no nosso blogue.

Na sua 2ª série, o MA publicou apenas “A Lenda de Beowulf”, uma das mais belas histórias do período em que Caprioli foi colaborador do Estúdio Giolitti, e também a última que realizou para revistas inglesas. Coincidindo com a desvalorização da libra esterlina — que tornou o mercado inglês de BD menos vantajoso para os desenhadores estrangeiros —, renasceu em Itália o apreço pela obra de Caprioli, graças aos seus novos trabalhos publicados no semanário Il Giornalino.

Ficaram os ingleses a perder, ganharam, em troca, os leitores italianos muitas obras que coroaram, com o seu esplendor artístico, a derradeira etapa da carreira de um dos maiores ilustradores europeus, cujo meio ideal de expressão e de contacto com o público juvenil, a quem ensinou divertindo, foram os fumetti (isto é, as histórias aos quadradinhos).

Ao dar à estampa, no nº 103 da 2ª série (publicado em 18 de Setembro de 1975), a magnífica versão de “A Lenda de Beowulf” que o inspirado e poético traço de Caprioli foi beber a velhas fontes da mitologia inglesa, o Mundo de Aventuras quis prolongar a homenagem ao saudoso mestre italiano, falecido em Fevereiro do ano anterior, apresentando na sua nova rubrica Mundo em Quadrinhos, coordenada por José de Matos-Cruz, um artigo da autoria de Gino Tomaselli, jornalista que conviveu com Caprioli na redacção do Il Giornalino.

Reproduzimos seguidamente esse artigo, recordando um tempo em que o MA estava no centro das nossas actividades profissionais, num labor diário norteado pelo desígnio de renovar a mais antiga revista juvenil portuguesa, recorrendo a séries e autores de prestígio capazes de competir com a BD americana que continuava a povoar as suas páginas.

 

Histórias inglesas de Caprioli – 1

A Lenda de Beowulf (1ª parte)

Já aqui falámos — a propósito da versão de Moby Dick (um dos romances com temas marítimos preferidos de Caprioli) realizada para a revista inglesa Ranger — da ecléctica e, em muitos casos, desconhecida obra que, nos anos 60, à míngua de trabalho na sua própria terra, depois do desaparecimento do Il Vittorioso, o grande mestre italiano teve de produzir para o ainda florescente mercado inglês.

Entre os exemplos já mencionados — com realce para Moby Dick, Os Argonautas e A Lenda de Beowulf, três histórias publicadas em revistas portuguesas, nos anos 1970 —, é digno também de apreço um episódio da emblemática série Olac the Gladiator («Olac, o Gladiador»), estreado, a cores, no almanaque anual do semanário Tiger (1961-62) e que o Pim-Pam-Pum (suplemento infantil do jornal O Século) divulgou também entre nós, em meados dos anos 1960 (*).

São alguns desses trabalhos, em que continua patente a extraordinária beleza da arte gráfica de Caprioli, que iremos apresentar, nalguns casos directamente reproduzidos das versões originais, noutros das revistas portuguesas onde tiveram esporádica tradução, como Mundo de Aventuras, Selecções, Condor Popular, Ciclone, Tarzan, Jornal do Cuto e O Preço do Triunfo.

ma-103Foi no nº 103, de 18 de Setembro de 1975, que o nome de Caprioli surgiu pela primeira vez, em grande destaque, nas páginas do Mundo de Aventuras (2ª série), com uma magnífica história realizada para o semanário Look and Learn nºs 440-451 (1970): “A Lenda de Beowulf” (The Legend of Beowulf), adaptação de um célebre conto mitológico de raízes saxónicas, onde Caprioli teve oportuni- dade de exibir o seu melhor estilo (com o famoso pontilhado), em vinhetas recheadas de imagens e peripécias memoráveis.

Pormenor curioso: na segunda vinheta da página 3, o modelo de uma das figuras femininas foi a sua própria filha Fulvia, que nessa época tinha 18 anos. Trata-se do último trabalho realizado pelo mestre italiano para revistas inglesas, pois a desvalorização da libra tinha-se reflectido também nesse mercado, tornando-o economicamente menos compensador para os desenhadores estrangeiros.

Além disso, não lhe faltavam outras oportunidades, oferecidas pela editora do Il Giornalino, um dos mais antigos e populares semanários juvenis italianos, que redescobriu o valor de Caprioli nas adaptações que este fez de algumas obras literárias de autores célebres, em especial do sempiterno Jules Verne.

(*) – Dezenas de anos depois, esse episódio de Olac, o Gladiador teve nova impressão, com as cores originais, num fanzine editado pela Câmara Municipal de Moura, no âmbito do seu Salão de BD de 2012 e da grande exposição comemorativa do centenário do “desenhador poeta”, cujos comissários foram Luiz Beira e Carlos Rico. Fanzine esse que ainda pode ser encomendado aos serviços administrativos daquela edilidade ou directamente a Carlos Rico, através do e-mail carlos.rico@cm-moura.pt

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Autobiografia de Caprioli

Mompeo (RI), 1934, em traje tolstojanoNascido em 5 de Abril de 1912, em Mompeo, região a 70 kms de Roma, Franco Caprioli manifestou desde muito novo, por tradição fa­miliar, a vontade de dedicar-se à pintura, aca­bando por descobrir outro amor, ainda maior e mais genuíno: os fumetti.

É curioso assinalar que, numa carta dirigida ao director do Il Giornalino, revista para a qual traba­lhou intensamente nos últimos anos da sua carreira, Ca­prioli afirmava que tinha sido (e talvez continuasse a ser) «um verdadeiro tolstoiano, seguidor da doutrina ético-social do grande russo, mais actual do que nunca – e diria, até, necessária – hoje, na nossa época de total niilismo e corrup­ção».

Essa prosélita vocação, que começou a perfilhar abertamente ainda na juventude (vestindo-se à moda russa), valeu-lhe, aliás, em pleno re­gime fascista, suspeitas e censuras, o que não o impediu de acolher na sua própria casa, durante a guerra, prisioneiros ingleses e refugiados judeus, sem receio de represálias.  

FIG.3 -RETRATO DE TOLSTOIA doutrina de Liev Tolstoi, bem conhecida ainda hoje, inspirava-se na moral cristã, «com um cuidado vigoroso no domínio sobre as paixões, na não violência, na resistência passiva ao mal, na caridade ilimi­tada pelo próximo, no amor por todos os seres vivos e pela natureza». Caprioli entendia, tal co­mo Ghandi, Albert Schweitzer e outros apósto­los da não-violência, que era preciso pôr em prática essa doutrina e, muito particular- men­te, ensiná-la aos jovens, falando-lhes em termos eloquentes de paz, amor e fraternidade.

Nesse breve testemunho biográfico transparece a sua força moral, o seu carácter antifascista e a razão (ou uma das razões) por que as suas histórias de aventuras, extraordinárias e cheias de fantasia, mas ao mesmo tempo modelos de realismo, obtiveram tanto sucesso entre a juventude. Por serem histórias humanistas e de grande nível, em que a justiça triunfava sempre e se exaltava um ideal de vida digno, os bons sentimentos, a lealdade, o amor, a ami­zade e a coragem.

Comix 5 974Mais tarde, num texto publicado, em 1972, na revista Comics nº 5 (que já aqui citámos), Caprioli referiu-se mais confessionalmente às suas origens familiares, à sua carreira e às suas influências artísticas, aos princípios morais que tinham moldado o seu carácter, indo ao encontro da curiosidade de muitos dos seus leitores, amigos e admiradores e procu- rando também afirmar-se como um não- -activista regido por valores e crenças do passado, num mundo em que a sociedade, o progresso, a ciência e a religião tinham cada vez menos afinidades com o espírito humano e com as suas verdadeiras aspirações.

É esse belo depoimento — em que avultam também a sua vasta cultura, a sua generosidade, a sua fina ironia e o seu amor à família —, que revelamos aos nossos leitores, contribuindo com mais esta achega para um melhor conhe- cimento de uma das mais fascinantes personalidades do mundo da 9ª Arte, apontada como exemplo de inspiração, harmonia, serenidade e beleza artística, dons naturais e coerentes aliados a um profundo sentimento de humanismo e de amor pela natureza que transparece em todas as suas criações. 

(Nota: podem ler o texto de Caprioli, em italiano, ampliando com dois cliques as páginas que se seguem).

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