La Storia della Navigazione

Este magnífico livro editado em Maio de 2016 pela Passenger Press (www.passengerpress.com), reúne muitas pranchas inéditas de Caprioli, pertencentes ao acervo de sua filha Fulvia. Com tiragem reduzida, 88 páginas (na grande maioria de banda desenhada), em papel de boa gramagem, excelente impressão e prefácio de Paolo Maini (Un mare di puntini), La Storia della Navigazione é uma obra que qualquer admirador da arte de Franco Caprioli gostaria de ter na sua estante.

O sumário, com textos também inéditos do próprio Caprioli — cuja assombrosa erudição fica, mais uma vez, demonstrada —, vai desde as primeiras navegações dos homens pré-históricos e das explorações dos fenícios, cartagineses, romanos, vikings e outros povos de épocas remotas, até aos descobrimentos portugueses e espanhóis do século XV, com destaque para as viagens de Bartolomeu Dias e de Cristóvão Colombo, terminando com a morte deste último, em 1506.

O mesmo tema, embora com outro enquadramento, já tinha sido abordado por Caprioli noutra série didáctica, Storia della Scoperta della Terra (História da Descoberta da Terra), cujos artigos, com texto de Guglielmo Valle, foram publicados no Il Vittorioso em 1958, aparecendo também nos primeiros números do Zorro, revista editada pela Empresa Nacional de Publicidade, que sucedeu em 1962 ao Cavaleiro Andante.

É essa série que começaremos em breve a apresentar aos nossos leitores, a propósito das viagens de descoberta, num mundo ainda desconhecido, e dos feitos dos grandes navegadores e exploradores que Caprioli retratou também no seu livro póstumo La Storia della Navigazione.     

Magnífica prancha de Caprioli colorida especialmente para a edição da Passenger Press

A vida trágica de Emilio Salgari

Artigo publicado no 3º e último fascículo da colecção “O Corsário Negro” (suplemento do Mundo de Aventuras), editada em 1977/1978 pela agência Portuguesa de Revistas, com uma tiragem de 10.000 exemplares (mas hoje extremamente rara), e dedicada a um dos mais extraordinários personagens criados pela febril imaginação de Emilio Salgari, cuja atribulada existência decorreu de 21 de Agosto de 1862 a 25 de Abril de 1911, dia em que se suicidou, apunhalando-se, num bosque de Turim.

Caprioli foi indiscutivelmente um fervoroso admirador da sua obra, buscando inspiração em muitos dos seus temas e chegando inclusive a colaborar com Luigi Motta (o maior discípulo e continuador de Salgari) na deslumbrante aventura “O Elefante Sagrado”, cujas afinidades com os cenários exóticos fantasiados pelo grande romancista nascido em Verona são bem evidentes.

Esta magnífica prancha pertence à história “O Elefante Sagrado”, publicada em 1949 no semanário Il Vittorioso, com desenhos de Caprioli e argumento de Luigi Motta, que evoca irresistivelmente o cenário exótico e misterioso de um dos melhores romances de Emilio Salgari: “Os Mistérios da Floresta Negra”.

Caprioli e a Pré-História – 4

Esta página com um artigo de António Dias de Deus, baseado na magnífica ilustração de Caprioli que serviu de capa ao nº 1 (2ª série) do fanzine Cadernos de Banda Desenhada (Novembro 1995) — onde foi publicada a história “Uma Estranha Aventura”, um dos mais perfeitos exemplos do primor artístico e da vasta erudição do mestre italiano, até em domínios reservados a especialistas como a Paleontologia, a Antropologia e a Etnologia —, era destinada à 2ª edição desse fanzine, que por motivos de força maior não chegou a concretizar-se.

Trata-se, pois, de um artigo inédito que muito nos apraz divulgar neste blogue, com a devida vénia ao seu autor, um dos mais notáveis críticos e historiadores da BD portuguesa, de quem infelizmente há muito não nos chegam notícias.

Caprioli e a natureza – 3

Trazemos-lhes hoje, como uma das curiosidades desta rubrica, mais uma magnífica ilustração de Caprioli oriunda da série didáctica Popoli e Paesi (Povos e Países), dada à estampa na revista Il Vittorioso, que como muitos dos nossos leitores já sabem foi aquela onde o grande mestre italiano colaborou mais assiduamente, durante as primeiras décadas da sua fértil carreira.

A segunda curiosidade refere-se ao mesmo cenário, o Oeste americano, e a uma das criações mais singulares e primorosas (tanto em relação ao herói principal como aos desenhos) que saíram das mãos de Caprioli: Dakota Jim, o Cowboy Verde. Bastou o título desta história, dividida em duas partes, para aguçar o interesse dos leitores quando foi estreada no nº 144 do Cavaleiro Andante, em Outubro de 1954. Infelizmente, Caprioli desenhou poucas histórias de cowboys, embora o tema o seduzisse, sem a menor dúvida, pois oferecia-lhe a oportunidade de espraiar a sua arte pela fauna, pelo folclore (sobretudo o das tribos índias) e pelas deslumbrantes paisagens do Faroeste americano, como esta aventura comprova em muitas das suas vinhetas.

Mas o Cavaleiro Andante pregou aos leitores uma partida, omitindo sem explicação uma das últimas páginas da história, por sinal recheada também de majestosos quadros da natureza selvagem. Claro que nenhum leitor da revista se apercebeu disso, porque a sequência das cenas (entre os nºs 167 e 168) não parecia interrompida. Caprioli, com o seu lento ritmo narrativo e o seu amor pela natureza, explorava sempre mais o ambiente e a caracterização das personagens do que a própria intriga — para ele um elemento quase secundário perante a beleza e o requinte estético das imagens com que decorava as suas páginas.

Em Dakota Jim, o Cowboy Verde o argumento (sem qualquer relação com temas ecológicos, diga-se de passagem) até era um bom suporte dessa arte narrativa, cuja serena harmonia tanto encantava os leitores de todo o mundo. Embora Caprioli fosse nitidamente um admirador das famosas séries B que, ainda no tempo do cinema mudo, entusiasmavam a juventude, com os seus cowboys ágeis, românticos e destemidos — como Buck Jones, Tom Mix, Tim McCoy e muitos outros —, Dakota Jim estabelece uma curiosa ponte entre esses primeiros e convencionais westerns, recheados de lutas, cavalgadas e tiroteios, com a acção e os heróis mais consistentes dos seus sucedâneos (sobretudo a partir dos anos 1940), cujos realizadores começavam também a descobrir a importância dos cenários naturais para cativar as audiências.

Muitos anos depois do Cavaleiro Andante ter publicado esta belíssima história, eu e o José Pires — que editávamos um fanzine chamado Fandwestern, inteiramente dedicado ao universo do Oeste americano, como o próprio título indica — resolvemos recuperá-la, com todo o afã, reproduzindo em modestas fotocópias a preto e branco as páginas que Caprioli tinha magistralmente desenhado para nosso deleite, quando éramos mais jovens. E até conseguimos encontrar, numa revista francesa (pois não possuíamos o Il Vittorioso), a página que faltava no Cavaleiro Andante.

Lamentavelmente, nenhum de nós possui ainda a versão original dessa página, mas aqui fica a que publicámos no nº 7 do Fandwestern (Junho de 1996), completando assim, embora sem as magníficas cores de Caprioli, a versão portuguesa de uma das suas melhores criações dos anos 1950 — uma pausa (de certa forma, insólita) no género que mais lhe agradava e que lhe deu maior êxito: as grandes epopeias históricas como Aquila Maris (A Águia dos Mares), Hic Sunt Leones (Através do Deserto), L’Ussaro della Morte (O Hussardo da Morte), Una Strana Avventura (Uma Estranha Aventura) e Al di là della Raya (A Primeira Volta ao Mundo).

Os rivais de Caprioli – 1

“INOCENTE DE QUALQUER CRIME!”

Página ilustrada por Ruggero Giovannini (1922-1983) e publicada na contracapa do Mundo de Aventuras nº 856, de 17 de Fevereiro de 1966.

 BREVE BIOGRAFIA DE GIOVANNINI

Giovaninni, um dos “monstros sagrados” do fumetto italiano (dez anos mais novo do que Caprioli), iniciou a sua prolífica carreira ainda muito jovem nas páginas do semanário católico Il Vittorioso, onde se tornou um dos mais representativos discípulos da “escola” americana, influenciado pelo estilo de desenhadores como Will Gould e Milton Caniff

Mestre do claro-escuro, com um grande domínio do movimento e da técnica narrativa, mas sempre insatisfeito, em busca da síntese gráfica e do dinamismo na estilização, Giovaninni abordou histórias e personagens de todos os géneros (excepto a ficção científica), que nas suas mãos pareciam adquirir uma estética nova, realçada pelo vigor expressionista do traço.

Desde os aventureiros e exploradores como Jim Brady e Mister V (em cujas rocambolescas peripécias não faltava um toque humorístico), dos índios e dos cowboys de “Sombras Selvagens”, “As Grandes Águas”, “A Vingança de Mocassin Rosso” e “A Última Fronteira”, até aos guerreiros do Império Romano, das Cruzadas e do Japão, retratados com fidelidade e esplendor formal, na melhor tradição do Il Vittorioso, em “Ego Lucius” (inédito entre nós), “O Nome Escrito na Água”, “A Cruz Sobre o Peito”, “Os Guerrilheiros de S. Marcos”, “O Sino dos Cavaleiros” e “O Juramento dos Samurais” (esta, sem dúvida, uma das obras mais notáveis da primeira fase da sua carreira).

Muitos dos seus trabalhos, abrangendo quatro décadas, figuram no sumário do Cavaleiro Andante (idem Álbuns e Números Especiais) e de outras revistas juvenis, como Mundo de Aventuras, Condor, Titã, Colecção Alvo, Condor Popular, O Falcão Jornal do Cuto. Registe-se também um álbum publicado pela Editorial SEL, com o título Vikings – Os Lobos do Norte.

Giovaninni distinguiu-se, entre os autores de BD da sua geração, pela facilidade em retratar ambientes históricos, género em que viria a especializar-se, tanto no Il Vittorioso como em revistas inglesas, para as quais começou a trabalhar nos anos 1960, produzindo inúmeras criações com um traço sempre estilizado e a sua refinada técnica do preto e branco.

Entre as suas “coroas de glória” desse período destacam-se as adaptações de vários clássicos literários, como Ben-Hur (na imagem supra), Os Três Mosqueteiros e O Último dos Moicanos, e em particular a série Olac, o Gladiador, que partilhou com outros desenhadores no semanário Tiger, mas onde ficou gravada a sua marca indelével de mestre do estilo realista e das narrativas de temática histórica. Olac foi um dos heróis mais célebres da BD inglesa e fez também as delícias dos leitores do Mundo de Aventuras, que publicou vários episódios.

Outra série de temática semelhante, com o traço de Giovannini, é Wulf the Britton (continuada, depois dele, por Ron Embleton), que em Portugal teve honras de publicação n’O Falcão, formato grande, com o título nos primeiros episódios de “O Preço da Liberdade”.

Durante os últimos anos de vida, Giovannini colaborou no Il Giornalino, outra célebre revista italiana, para a qual produziu excelentes séries como Capitan Erik, Ricky e I Biondi Lupi del Nord. Morreu prematuramente na sua cidade natal, Roma, em 5 de Março de 1983, com 61 anos apenas (por coincidência, a mesma idade com que desapareceu Caprioli).

Caprioli e a Pré-História – 3

Desenhador de excepcionais dotes artísticos, aliados a uma profunda cultura sobre os mais diversos temas — como a Paleontologia, a Arqueologia, a Etnologia, a História da Antiguidade e as Ciências Náuticas, por exemplo —, Caprioli não se limitou a realizar histórias aos quadradinhos de fundo aventuroso, para deleite dos leitores do Topolino, do Giramondo, do Argentovivo! ou do Il Vittorioso.

O seu objectivo era também transmitir aos jovens, de forma amena, essa vasta soma de conhecimentos através de rubricas didácticas como Popoli e Paesi, Storia della Nave, Figurini di Ogni Epoca, L’Italia nella Preistoria, publicadas no Il Vittorioso, a revista que acolheu algumas das suas maiores criações, entre os anos de 1937 e 1964.

O sucesso dessas rubricas, profusamente ilustradas e com textos redigidos inteiramente por Caprioli, espelha bem o seu interesse lúdico e o saber do Mestre, que não ficava aquém da beleza da sua arte figurativa — como demonstram as duas páginas aqui reproduzidas.

O Natal na arte de Caprioli

NATALVITTEsta magnífica página de Franco Caprioli, em que a harmonia artística se conjuga, de forma singular, com a candura evangélica das cenas celestiais — ilustrando um poema de Vittorio Emanuele Bravetta, intitulado La Stela e la Zampogna (A Estrela e a Gaita de Foles) —, foi realizada para o nº 52 (ano XII), 25 de Dezembro de 1948, do semanário de inspiração católica Il Vittorioso, onde o saudoso mestre italiano publicou algumas das suas mais celebradas obras-primas.

Segundo nos informou Fulvia Caprioli, filha dilecta do mestre admirável — que tem sido, nos últimos 20 anos, a maior divulgadora da sua obra —, Caprioli, ao desenhar a figura do anjinho que está em primeiro plano, junto do tocador de gaita de foles, serviu-se como modelo do seu filho Fabrizio, então ainda de tenra idade.

Com os nossos agradecimentos a Fulvia, aqui fica também um curioso apontamento sobre esta bela ilustração natalícia de um autor que nutria especial carinho pela festa da Sagrada Família e pela tradição franciscana do Presépio.

Caprioli ilustrador – 2

Nos anos 30, ainda antes de iniciar uma frutuosa carreira como autor de fumetti (isto é, histórias aos quadradinhos), Franco Caprioli, fascinado pelos ícones da literatura russa — como Tolstoi, Gogol e Dostoiewsky —, realizou várias ilustrações inspiradas nalgumas das suas obras, com um estilo modernista, muito influenciado pelos cultores da chamada “Arte Nova”.

Curiosamente, foi esse estilo que adoptou nas suas primeiras histórias publicadas em revistas para jovens, nomeadamente no Argentovivo! e no Il Vittorioso, como, por exemplo, Gino e Piero, La Sponda delle Chimere e Il Mistero del Budda di Giada. As suas primeiras experiências com o “pontilhado”, para dar mais sombras e volumes às figuras que desenhava (quase só com linhas de contorno), vieram mais tarde, numa fase de amadurecimento estético que já prenunciava, em criações como L’Isola Giovedi e Nel Deserto di Cartagine, as suas futuras obras-primas, produzidas, sobretudo, nos anos 50.

Quanto aos grandes escritores russos, Caprioli captou-lhes, nas suas ilustrações, o realismo, a paixão e a alma — com tanto rigor que até usava como veste, nessa época, a tradicional rubaska de Tolstoi, para exprimir a sua comunhão de ideais com o autor de Guerra e Paz. Que pena não ter ido mais longe, antecipando, com esses tesouros da literatura, a sua auspiciosa estreia nos fumetti.

Na primeira metade da década de 30, Caprioli (que se fixara, então, em Roma) dedicou-se à carreira de desenhador e pintor, interessando-se também por obras de outros escritores, seus contemporâneos, que ilustrou com a mesma sofisticação de estilo — como demonstram as páginas seguintes, extraídas do catálogo Caprioli Inedito, editado em 1984 pelo Fumetto Club de Turim, no âmbito de uma exposição evocativa do 10º aniversário do seu falecimento.

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Caprioli e a natureza – 2

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As páginas em destaque neste post pertencem à história Yukon Selvaggio, onde Caprioli abordou pela primeira vez os temas da Polícia Montada e do Grande Norte, tão caros a escritores como Jack London, Zane Grey, James Oliver Curwood e Rex Beach, que figuravam certamente na lista dos seus favoritos.

Por curiosidade, este excelente episódio — que em Portugal foi publicado no Álbum do Cavaleiro Andante nº 75 (Agosto de 1960), com o título “Bandidos do Yukon”, os-bandidos-do-yukon-capamenos assertivo no que à beleza selvagem do seu cenário diz respeito — corresponde a uma fase em que o grande mestre italiano teve de mudar de estilo, embora a contragosto, influenciado por alguns comentários desfavoráveis acerca da sua “obsessão” pela técnica dos pontinhos (isto é, do pontilhado), que entre o próprio quadro redactorial do Il Vittorioso parecia já não ser muito apreciada.

Caprioli optou, assim — nas suas novas criações para a revista onde colaborava desde o início da sua carreira, em 1937, como autor de fumetti —, por um estilo em que estava menos à vontade (e que os seus admiradores decerto estranharam), substituindo os pontinhos pelo tracejado e procurando dar mais dinamismo à composição das cenas, aligeirando-as dos textos descritivos em que ele e outros desenhadores daquela época eram pródigos, pois também gostavam de expandir a sua criatividade literária.

Nas páginas que aqui apresentamos, apesar dessa faceta descritiva continuar presente, nota-se o equilíbrio entre a perfeição estética das imagens — comprovando o esforço de Caprioli para se adaptar ao seu novo estilo — e a fluência do ritmo narrativo, que as legendas pontuam como uma espécie de voz off num filme documentário sobre a natureza.

Layout 1

Infelizmente, esta página do Il Vittorioso — magnífico tributo ao deslumbrante cenário do Wild North, que London e Curwood descreveram com o mesmo requinte de Caprioli — não chegou ao conhecimento dos leitores portugueses, pois foi suprimida, por falta de espaço, no Álbum do Cavaleiro Andante nº 75. Uma lamentável lacuna que ilustra, entre outros exemplos, os maus procedimentos das revistas juvenis de outros tempos, cujo respeito pela integridade das histórias aos quadradinhos que publicavam era quase nulo.

Histórias inglesas de Caprioli – 2

A Lenda de Beowulf (2ª parte)

retrato-caprioliApresentamos seguidamente a 2ª e última parte de “A Lenda de Beowulf” (The legend of Beowulf), uma das mais belas histórias ilustradas por Caprioli no período em que foi colaborador da agência de Alberto Giolitti (anos 60), e também a última que realizou para revistas inglesas.

Nessa época, à míngua de trabalho na sua própria terra, depois da crise que atingiu o Il Vittorioso — a revista onde tinha publicado algumas das suas melhores obras, durante as férteis décadas de 1940 e 1950 —, Caprioli viu-se forçado, para sobreviver economicamente, a seguir o exemplo de muitos outros desenhadores italianos, recorrendo aos editores estrangeiros, sobretudo aos do Reino Unido, que pagavam bem e lhe abriram as páginas de revistas de grande circulação, como Ranger, Look and Learn, Lion, TigerTina e outras.

No mercado inglês de publicações juvenis, cada vez mais pujante na década de 1960, o único senão era a forma rígida de trabalhar de alguns editores, que deixavam aos autores pouca margem de manobra, controlando todo o processo de produção, desde os primeiros esboços até à fase final, e sobrecarregando as vinhetas com textos (quase sempre) excessivos. Além disso, impunham à maioria dos seus colaboradores o mais completo anonimato, como forma de melhor assegurarem a exclusividade do seu trabalho, que podiam reeditar todas as vezes que lhes apetecesse, sem que os autores tirassem disso o menor rendimento.

caprioli-anafi-1Por portas e travessas, estes, embora recebessem em libras esterlinas e fossem mais bem pagos do que noutros países, acabavam por ficar prejudicados. Quanto aos originais, nem pensar em reavê-los… E raramente os desenhadores residentes no estrangeiro, muitos a operar através de agências que lhes cobravam uma percentagem, tinham conhe- cimento das revistas onde as suas obras eram publicadas. No caso de Caprioli, nunca o mestre italiano deve ter posto a vista nesses trabalhos, depois de impressos, realizados em condições que certamente o confrangiam, embora lhe garantissem o bem-estar econó- mico, e que só foram conhecidos em Itália muitos anos depois, já expirado o século em que viveu e produziu tantas obras- -primas, graças ao intenso labor de sua filha Fulvia e de editores como a ANAFI (Associazione Nazionale Amici del Fumetto e dell’Illustrazione).

Recordamos, a finalizar este texto, que “A Lenda de Beowulf” foi publicada em Portugal no Mundo de Aventuras nº 103, 2ª série (18/9/1975), de onde reproduzimos as páginas que se seguem.

(Nota: para ver/ler estas magníficas páginas de Caprioli em toda a sua extensão, clicar duas vezes sobre as imagens).

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