A vida trágica de Emilio Salgari

Artigo publicado no 3º e último fascículo da colecção “O Corsário Negro” (suplemento do Mundo de Aventuras), editada em 1977/1978 pela agência Portuguesa de Revistas, com uma tiragem de 10.000 exemplares (mas hoje extremamente rara), e dedicada a um dos mais extraordinários personagens criados pela febril imaginação de Emilio Salgari, cuja atribulada existência decorreu de 21 de Agosto de 1862 a 25 de Abril de 1911, dia em que se suicidou, apunhalando-se, num bosque de Turim.

Caprioli foi indiscutivelmente um fervoroso admirador da sua obra, buscando inspiração em muitos dos seus temas e chegando inclusive a colaborar com Luigi Motta (o maior discípulo e continuador de Salgari) na deslumbrante aventura “O Elefante Sagrado”, cujas afinidades com os cenários exóticos fantasiados pelo grande romancista nascido em Verona são bem evidentes.

Esta magnífica prancha pertence à história “O Elefante Sagrado”, publicada em 1949 no semanário Il Vittorioso, com desenhos de Caprioli e argumento de Luigi Motta, que evoca irresistivelmente o cenário exótico e misterioso de um dos melhores romances de Emilio Salgari: “Os Mistérios da Floresta Negra”.

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Obras-primas: Os Pescadores de Pérolas (I Pescatori di Perle) – 1

Os Pescadores de Pérolas Capa CA 12Continuando esta retrospectiva dedicada ao período áureo de Caprioli — depois da publicação de “O Elefante Sagrado” (L’Elefante Sacro), com argumento de Luigi Motta —, apresentamos hoje as primeiras páginas de “Os Pescadores de Pérolas” (I Pescatori di Perle), outra aventura iniciada no nº 1 do Cavaleiro Andante e que, pela sua trama histórica, se reveste para nós, portugueses, de um interesse especial.

Desenrolada em Ceilão, no início do século XVII, época em que a “lusa grei” ainda dominava essa grande ilha do Índico, que hoje tem o nome de Sri Lanka, centra-se nas lutas entre portugueses e holandeses, quando estes invadiram a ilha e os indígenas — os povos cingaleses que viviam em paz com os colonos europeus — foram obrigados a tomar partido.

Com guião de Roudolph (Raoul Traverso), foi publicada também no Il Vittorioso nºs 1 a 18, de 1 de Janeiro a 30 de Abril de 1950, logo a seguir a L’Elefante Sacro. As páginas originais que apresentamos são oriundas de um álbum dado à estampa em 1996 pelo editor Camilo Conti.

Merece destaque a capa desenhada por Fernando Bento, que o Cavaleiro Andante dedicou a esta magnífica história de Caprioli, no seu nº 12, de 22 de Março de 1952. Boa leitura!

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Caprioli no “Tintin” belga – 2

Tintin 2 1950A propósito da aventura “O Elefante Sagrado”, primorosamente ilustrada por Caprioli e com argumento do escritor salgariano Luigi Motta, já referimos que ela foi também publi- cada no popular semanário belga Tintin, estreando-se no nº 2, de 12 de Janeiro de 1950, e terminando no nº 30, de 17 de Julho do mesmo ano.

Tal como o Il Vittorioso, a revista italiana onde esta e muitas outras histórias de Caprioli foram apre- sentadas pela primeira vez, o Tintin belga também era numerado por volumes, correspondendo cada ano, geralmente com 52 números, a um volume completo.

Assim, foi no 5º ano desta prestigiosa revista, que era lida também por muitos jovens portugueses — numa época em que o francês constituía uma das línguas de ensino obrigatório do nosso 1º ciclo liceal —, que Caprioli iniciou o seu percurso em terras francófonas, ombreando com os melhores colaboradores do Tintin, como Hergé, Jacobs, Cuvelier, Martin, Laudy, embora ainda de forma anónima, ao contrário da prática vigente no Il Vittorioso, onde o seu nome já se tornara sinónimo de virtuosismo, beleza e perfeição artística.

Tintin 20 1950Depois de “L’Éléphant Sacré”, o Tintin publicou “La Rose du Dungeon”, história de ambiente medieval (em torno da figura de S. Francisco de Assis), que se intitulava originalmente “Rose fra le Torri” e que nas páginas do Cavaleiro Andante foi baptizada com um título mais heróico: “O Fugitivo da Torre Vermelha”. “Les Pêcheurs de Perles” (“Os Pescadores de Pérolas”), cujo enredo se desenrolava noutra época histórica, entre os naturais da paradisíaca ilha de Ceilão, viria a seguir…

Apresentamos neste post mais algumas páginas de“L’Éléphant Sacré”, esperando satisfazer a curiosidade de todos os que se interessam pela obra desse grande mestre da BD italiana (e mundial) que foi Franco Caprioli. Resta acrescentar que o Tintin não lhe concedeu honras de capa, ficando assim aquém do destaque que o Cavaleiro Andante soube, desde os primeiros números, dar às histórias ilustradas por Caprioli, recorrendo, por vezes, ao traço de outro talentoso colaborador, Fernando Bento, para celebrar nas suas capas a magia de um novo, deslumbrante e exótico manancial de aventuras.

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Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 7

Concluímos hoje a apresentação desta magnífica história de Caprioli, com argumento de Luigi Motta, que se estreou no semanário italiano Il Vittorioso, em 1949, onde foi publicada do nº 22 ao 50, sempre a quatro cores. Em Portugal, faria as honras do Cavaleiro Andante (nascido dois anos depois, em 5 de Janeiro de 1952), a par de outra aventura de ambiente exótico desenhada pelo mestre italiano, “Os Pescadores de Pérolas” (I Pescatori di Perle), que surgirá também em breve no nosso blogue.

Mas a publicação no Cavaleiro Andante, cujos primeiros números eram geralmente mal impressos, não foi isenta de muitos defeitos.

Como podem ver nas páginas que reproduzimos, houve vinhetas que sofreram cortes, total ou parcialmente: uma no nº 28, por causa do cabeçalho da revista, e outra no nº 25, devido ao cupão com o número de tiragem que habilitava ao sorteio de um rádio e uma máquina fotográfica, em todas as edições do popular semanário. Essas vinhetas foram reconstituídas nos Cadernos de Banda Desenhada nº 6 (Dezembro de 1987), que reeditou “O Elefante Sagrado” a preto e branco. Mas a versão completa, a partir do original italiano e em todo o esplendor das cores do Il Vittorioso, só agora pode ser devidamente apreciada pelos leitores portugueses (alguns dos quais são os mesmos daquele tempo).

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Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 6

Fanco Caprioli in et+á giovanileApresentamos hoje mais quatro páginas desta magnífica história de Caprioli, que em 1952, nos primeiros números do Cavaleiro Andante, fez com que um grande número de jovens portugueses descobrissem o talento de um artista de que nunca tinham ouvido falar — embora a sua carreira como autor de histórias aos quadradinhos já tivesse começado há 15 anos, nos novos semanários italianos Il Vittorioso e Argentovivo! —, ficando também rendidos, como os de outros países, à clareza e harmonia do seu traço, à clássica perfeição das suas figuras finamente pontilhadas, ao sortilégio das suas paisagens exóticas e dos seus mares revoltos, assolados por tempestades que nenhum outro desenhador era capaz de retratar com tamanha magnificência.

Através dessas maravilhosas imagens, os leitores podiam viajar espiritualmente num mundo onde não imperava a violência, mas a justiça, a amizade, a coragem, a aventura, a fantasia, o exotismo. Um mundo desconhecido e poético, mas natural, feito à medida dos seus sonhos e dos sonhos de Caprioli.

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Caprioli no “Tintin” belga – 1

Caprioli - tintin 23 1950É curioso assinalar, a propósito ainda de “O Elefante Sagrado”, que esta exótica e palpitante aventura, oriunda (como já referimos) do semanário italiano Il Vittorioso, foi também publicada, em 1950, noutra excelente revista europeia, o Tintin belga, onde Adolfo Simões Müller, director do Cavaleiro Andante, terá tido conhe- cimento, pela primeira vez, dos trabalhos de Caprioli — visto que o Tintin foi a “fonte” de onde brotaram algumas das histórias apresentadas nos primeiros números do Cavaleiro Andante, incluindo “O Templo do Sol”, uma nova aventura do jovem e audaz repórter que Hergé transfor- mou num herói universal.

Caprioli - Tintin 2 anúncio 541Traduzida à letra no Tintin por “L’Éléphant Sacré”, esta magnifica criação de Caprioli e Luigi Motta — uma das histórias preferidas do grande mestre italiano e de muitos dos seus admiradores, em que a acção flui de forma harmoniosa, entre cenários majestosos — foi sempre publicada em bicromia, tal como no Cavaleiro Andante, iniciando-se no nº 2 (12/1/1950) e terminando no nº 30 (27/7/1950) do 5º ano da afamada revista belga, cujas páginas eram preenchidas por outros colaboradores de renome (mas, então, ainda nos alvores da sua carreira), como Edgar Pierre Jacobs, Willy Vandersteen, Paul Cuvelier, Jacques Laudy, Jacques Martin, François Craenhals e, em primeiro plano, o mais experiente e credenciado do grupo: Georges Rémi (Hergé).

Aqui têm algumas páginas dessa versão belga, que poderão, por curiosidade, comparar com as que saíram no Cavaleiro Andante — qualquer delas uma “pálida sombra” da paleta garridamente colorida do Il Vittorioso.

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Obras-primas: O Elefante Sagrado (L’Elefante Sacro) – 5

Continuamos a apresentar esta maravilhosa história ilustrada por Caprioli, com argumento de Luigi Motta, que tem por cenário as miste- riosas e luxuriantes regiões da Índia, na primeira metade do século XIX, e por protagonista um jovem órfão, vendedor de pequenas estatuetas — que ele próprio habilmente esculpia —, a quem um capricho do destino fez embarcar como grumete numa viagem de longo curso e aportar a paragens desconhecidas, depois do naufrágio do veleiro mercante que dissera adeus à sua terra natal, em Itália, alguns meses antes.

Nesse longínquo país do Oriente, onde encontrou também um novo lar, em contacto com uma cultura milenária cujo exótico esplendor o fascinaria para sempre, Rudi (ou Ângelo, na versão portuguesa) ia viver uma fantástica aventura, recheada de emoções, de surpresas, de feitos heróicos, de mistérios e sortilégios que ultrapassavam a sua imaginação, de perigos ocultos no interior de majestosos templos e de traiçoeiras florestas virgens.

Como já largamente referimos, “O Elefante Sagrado” estreou-se em Portugal no primeiro número do Cavaleiro Andante, revista que, em Janeiro de 1952, suce- deu ao Diabrete, tornando-se um dos mais populares semanários do seu género, lido por muitos milhares de jovens e no qual as histórias aos quadradinhos europeias — particularmente as magistrais criações de Franco Caprioli — tiveram sempre lugar de destaque… embora publicadas geralmente em bicromia ou a preto e branco, sem o deslumbrante colorido das páginas do Il Vittorioso.

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