Caprioli e a Pré-História – 5

Soberba prancha de Franco Caprioli para um trabalho inédito sobre a Pré-História (Paleolítico Superior), um dos temas favoritos do saudoso Mestre italiano, por nele poder dar vazão não só ao seu talento artístico como aos seus profundos conhecimentos da história da Humanidade em áreas como a Antropologia, a Arqueologia, a Etnologia e outras ciências relacionadas com as épocas mais remotas.

Anúncios

Caprioli e a Pré-História – 4

Esta página com um artigo de António Dias de Deus, baseado na magnífica ilustração de Caprioli que serviu de capa ao nº 1 (2ª série) do fanzine Cadernos de Banda Desenhada (Novembro 1995) — onde foi publicada a história “Uma Estranha Aventura”, um dos mais perfeitos exemplos do primor artístico e da vasta erudição do mestre italiano, até em domínios reservados a especialistas como a Paleontologia, a Antropologia e a Etnologia —, era destinada à 2ª edição desse fanzine, que por motivos de força maior não chegou a concretizar-se.

Trata-se, pois, de um artigo inédito que muito nos apraz divulgar neste blogue, com a devida vénia ao seu autor, um dos mais notáveis críticos e historiadores da BD portuguesa, de quem infelizmente há muito não nos chegam notícias.

Caprioli e a Pré-História – 3

Desenhador de excepcionais dotes artísticos, aliados a uma profunda cultura sobre os mais diversos temas — como a Paleontologia, a Arqueologia, a Etnologia, a História da Antiguidade e as Ciências Náuticas, por exemplo —, Caprioli não se limitou a realizar histórias aos quadradinhos de fundo aventuroso, para deleite dos leitores do Topolino, do Giramondo, do Argentovivo! ou do Il Vittorioso.

O seu objectivo era também transmitir aos jovens, de forma amena, essa vasta soma de conhecimentos através de rubricas didácticas como Popoli e Paesi, Storia della Nave, Figurini di Ogni Epoca, L’Italia nella Preistoria, publicadas no Il Vittorioso, a revista que acolheu algumas das suas maiores criações, entre os anos de 1937 e 1964.

O sucesso dessas rubricas, profusamente ilustradas e com textos redigidos inteiramente por Caprioli, espelha bem o seu interesse lúdico e o saber do Mestre, que não ficava aquém da beleza da sua arte figurativa — como demonstram as duas páginas aqui reproduzidas.

Caprioli e a Pré-História – 2

Outra obra notável neste domínio foi o livro intitulado Viaggio attraverso la Preistoria, com texto de Mário Bianchini, que Caprioli ilustrou de uma ponta à outra, investindo nesse projecto mais de dez anos de trabalho.

No entanto, embora o livro merecesse os maiores elogios de muitos especialistas na matéria, acabou por não ser compen- sador do ponto de vista económico e artístico, neste caso por causa do seu aspecto gráfico, com cores (a)berrantes, escolhidas sem critério pelo editor, cujo mau efeito estético e cromático desfigurou por completo as ilustrações (algumas de página inteira ou dupla página) em que Caprioli tanto caprichara, deixando-o profundamente desiludido e desmora- lizado, como revelou num texto biográfico que recentemente publicámos (ver aqui post de 3 de Abril — Autobiografia de Caprioli).

A propósito deste volumoso livro de grande interesse didáctico, cujas magníficas ilustrações têm sido profusamente apresentadas na página do Facebook dedicada a Caprioli por sua filha Fulvia, reproduzimos as palavras que ela nos dirigiu, em resposta a um comentário que esses desenhos (todos eles autênticas obras de arte) nos suscitaram:

«Sim, são desenhos de apurada reconstituição cientí- fica baseada na leitura de muitos livros escritos por famosos peritos de Paleon-tologia, e em longas horas passadas no Jardim Zoológico para observar os movimentos dos elefantes, dos tigres, dos cangurus, dos símios…

A preparação dessas páginas durava muitos anos. Às vezes, reunia-se com o professor Blanc no local onde tinham sido encontrados vestígios pré-históricos, a fim de os observar (é o caso do dente canino do tigre pré-histórico com dentes de sabre, encontrado no monte Peglia-Orvieto (Itália), e do crânio do Neanderthal do Circeo)».

Segundo Fulvia, os textos de Viaggio attraverso la Preistoria, incluindo os das legendas didascálicas, também eram de Caprioli, mas foram confiados para revisão a um consultor da editora, que os refez a seu bel-prazer, estendendo-os por 456 páginas, e acabou por assinar o livro com o seu nome. Sendo assim, estamos perante um autêntico caso de plágio ou, no mínimo, de usurpação de uma obra de índole científica. Não admira que Caprioli, possuidor de uma vasta e ecléctica cultura, tenha ficado profundamente decepcionado com o desfecho de um projecto em que investiu tantos sonhos e tantos anos de trabalho.

Caprioli (grutas)Profunda conhecedora (e incansável divulgadora) da obra de seu pai, Fulvia Caprioli tem feito extensas referências a este livro, nomeadamente num artigo publicado na revista Vitt & Dintorni nº 22 (Abril 2013), órgão informativo da Associazione Amici de Il Vittorioso, a que já aqui demos o devido destaque.

Pelo interesse do tema e porque esse livro nos chegou recentemente às mãos, numa 2ª edição (Abril de 1966, cuja capa reproduzimos no início deste post) com os mesmos defeitos da primeira — exceptuando as ilustrações a preto e branco, em que a ausência da cor realça o seu apurado efeito gráfico, como era desejo de Caprioli , voltamos hoje ao excelente artigo de sua filha Fulvia, reproduzindo-o na íntegra, como merece, para conhecimento de todos os admiradores portugueses da obra do grande mestre italiano.

Vitt Caprioli p.4

Vitt Caprioli p.5

Vitt Caprioli p.6

Vitt Caprioli p.7

Vitt Caprioli p.8

Vitt Caprioli p.9

Vitt Caprioli p.10

Caprioli e a Pré-História – 1

Caprioli (auto-retrato)Notável pintor, ilustrador e homem de cultura, Caprioli escolheu os fumetti por vocação (como escreveu no seu diário) e como forma de materializar os seus sonhos e os de muitos jovens, cujos anseios de aventura, liberdade e fantasia partilhava. Mas, não obstante a sua intensa actividade e o alto nível artístico da sua obra, esta só foi reconhecida oficialmente em 1973, um ano antes da sua morte, quando em Génova, nas 3.as Giornate del Fumetto e dell’ Illustrazione, um júri de profissionais lhe concedeu o prémio Il Cartoonist, como melhor desenhador italiano.

Foi assim que o nome e a obra de Caprioli voltaram à ribalta, merecendo a atenção dos especialistas, do público e de editores como Camilo Conti, que republicou várias das suas histórias em álbuns de grande formato, reproduzindo fielmente as cores originais do Il Vittorioso.

Homenagem tardia mas justa, que veio coroar uma fecunda carreira devotada à pintura, ao desenho, à BD e ao estudo da Paleontologia e da Antropologia, duas das suas maiores paixões, bem patentes no tema de fundo e no conceito artístico e filosófico de “Una strana avventura” (Il Vittorioso, 1954, 1962), viagem onírica a um passado remoto, vivida por três rapazes e pelo seu professor de História, em que Caprioli, no auge da sua forma criativa, assumiu simbolicamente o papel do mestre cujas lições “ao vivo” empolgavam os alunos. Muitos leitores do Cavaleiro Andante, interessados pelo estudo da Pré-História, nunca devem ter esquecido esta “estranha aventura”.

Estranha aventura - pag 11 e 12

Aliás, o mundo pré-histórico já estava bem representado numa das suas primeiras criações, ”La tribù degli uomini dei fiume” (Argentovivo, 1937), em que dois jovens descendentes do homem de Neandertal faziam também uma expedição aventurosa, enfrentando os mistérios e os perigos da natureza primitiva.

É essa história, apenas com cinco páginas (e ainda com textos didascálicos, como era prática corrente no Argentovivo), que seguidamente reproduzimos da revista italiana Exploit Comics nº 40 (Maio de 1987), onde foi pela primeira vez reeditada. Em breve voltaremos a abordar este tema, que fascinava Caprioli e lhe inspirou algumas das melhores ilustrações de toda a sua obra.

A tribo do rio 1 e 2

A tribo do rio 3 e 4

A tribo do rio 5 e 6

A tribo do rio 7 e 8 224

A tribo do rio 9 e 10

Sendo esta uma das primeiras histórias desenhadas por Caprioli (no ano em que iniciou a sua carreira como autor de fumetti), é natural que o seu estilo gráfico revele ainda algumas “fraquezas”; mas basta compará-la com as que publicou posteriormente noutras revistas, onde tinha mais espaço e mais liberdade estética, para apreciar e valorizar os constantes progressos do seu estilo, cuja original técnica do pontilhado começava a florescer, como produto de uma profunda evolução artística que se desenvolveu num período bastante curto.

WordPress.com Apps

Apps for any screen

Le chat dans tous ses états - Gatos... gatinhos e gatarrões! de Catherine Labey

Pour les fans de chats e de tous les animaux en général - Para os amantes de gatos e de todos os animais em geral

largodoscorreios

Largo dos Correios, Portalegre

almanaque silva

histórias da ilustração portuguesa