Histórias do mar – 2

Dando seguimento à divulgação de um trabalho publicado em 2012 pela Câmara Municipal de Moura e pelo Grupo Gicav (de Viseu), no âmbito da exposição comemorativa do centenário de Franco Caprioli, o desenhador poeta, apresentamos mais oito páginas de outro capítulo do e-book editado pelo Gicav, com uma pequena tiragem de 50 exemplares.

Neste capítulo, dedicado às histórias do mar, um dos temas favoritos de Caprioli, figuram três episódios reproduzidos do semanário Il Giornalino, onde é bem patente a perfeição com que o mestre italiano retratava o mar, os navios e os homens que os manobravam.

A segunda dessas histórias, com texto de um notável argumentista, Roudolph (Raoul Traverso), intitula-se “Il mozzo del Sant’Elia” e aqui a têm, na sua versão original, publicada no nº 18 (1972) da citada revista.

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Caprioli no “Tintin” belga – 3

Caprioli - Tintin 50 5º ano155Traduzida à letra  no Tintin por “Les Pêcheurs de Perles”, esta magnifica criação de Caprioli e Roudolph (outra história que figura entre as favoritas do grande mestre italiano e dos seus inúme- ros admiradores) foi sempre publicada em bicromia, tal como no Cavaleiro Andante, iniciando-se no nº 50 (14/12/1950) e terminando no nº 15 (11/4/1951) da prestigiosa revista belga, cujas páginas eram preenchidas por outros talentosos colaboradores (mas, então, ainda nos primórdios da sua carreira), como Edgar Pierre Jacobs, Willy Vandersteen, Paul Cuvelier, Jacques Laudy — e, em primeiro plano, o mais experiente do grupo: Hergé.

Como o Tintin era numerado por volumes, correspondentes a um ano de publicação, a história começou no 5º ano e acabou no 6º. Os nomes dos dois principais personagens, de nacionalidade portuguesa, não foram modificados na tradução, mantendo uma curiosa afinidade fonética com nomes franceses e espanhóis: Manrico Villegas e Pérez Amary. Mas o resultado é óbvio… Nem uma coisa nem outra. Caprioli e Roudolph, seguindo o exemplo de Salgari, deviam considerar os portugueses criaturas de origem um pouco exótica!

Claro que no Cavaleiro Andante, para os tornar mais credíveis, Manrico (o governador da ilha de Ceilão) foi baptizado com o nome de Henrique de Albuquerque e Pérez (o seu assistente) com o de André de Noronha. Recorde-se que “Os Pescadores de Pérolas” se estreou no nº 1 da revista dirigida por Adolfo Simões Müller, dado à estampa em 5/1/1952, terminando a sua publicação no nº 18, de 3/5/1952, dois anos depois de ter ocupado sempre um lugar de honra nas capas garridamente coloridas do Il Vittorioso.

Aqui têm algumas páginas (as únicas que possuímos) da versão do Tintin, que poderão, por curiosidade, comparar com as que saíram no Cavaleiro Andante — qualquer delas uma “pálida sombra” da deslumbrante paleta do Il Vittorioso, revista de maior formato e mais luxuosa apresentação gráfica.

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Obras-primas: Os Pescadores de Pérolas (I Pescatori di Perle) – 4

Caprioli - Vittorioso 11Concluímos hoje mais uma das belas histórias de Caprioli publicadas no Cavaleiro Andante, a revista que as deu a conhecer a muitos jovens portugueses, rendendo-os de imediato ao seu estilo límpido, poético e harmonioso e ao profundo humanismo que se desprendia dos seus temas e das suas personagens.

“Os Pescadores de Pérolas” (com argumento de Roudolph) estreou-se no nº 1 do Cavaleiro Andante, saído em 5 de Janeiro de 1952, terminando a sua publicação no nº 18, de 3 de Maio de 1952, dois anos depois de ter surgido, em lugar de honra, nas páginas garridamente coloridas do semanário juvenil italiano Il Vittorioso — como a que apresentamos a abrir este post, com o cabeçalho da revista, e que curiosamente tem coloração diferente da que foi reeditada num álbum publicado por Camillo Conti, em 1996, de onde reproduzimos, na íntegra, esta história.

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Obras-primas: Os Pescadores de Pérolas (I Pescatori di Perle) – 1

Os Pescadores de Pérolas Capa CA 12Continuando esta retrospectiva dedicada ao período áureo de Caprioli — depois da publicação de “O Elefante Sagrado” (L’Elefante Sacro), com argumento de Luigi Motta —, apresentamos hoje as primeiras páginas de “Os Pescadores de Pérolas” (I Pescatori di Perle), outra aventura iniciada no nº 1 do Cavaleiro Andante e que, pela sua trama histórica, se reveste para nós, portugueses, de um interesse especial.

Desenrolada em Ceilão, no início do século XVII, época em que a “lusa grei” ainda dominava essa grande ilha do Índico, que hoje tem o nome de Sri Lanka, centra-se nas lutas entre portugueses e holandeses, quando estes invadiram a ilha e os indígenas — os povos cingaleses que viviam em paz com os colonos europeus — foram obrigados a tomar partido.

Com guião de Roudolph (Raoul Traverso), foi publicada também no Il Vittorioso nºs 1 a 18, de 1 de Janeiro a 30 de Abril de 1950, logo a seguir a L’Elefante Sacro. As páginas originais que apresentamos são oriundas de um álbum dado à estampa em 1996 pelo editor Camilo Conti.

Merece destaque a capa desenhada por Fernando Bento, que o Cavaleiro Andante dedicou a esta magnífica história de Caprioli, no seu nº 12, de 22 de Março de 1952. Boa leitura!

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Duas revistas muito diferentes

IL VITTORIOSO versus CAVALEIRO ANDANTE

Nascido em 9 de Janeiro de 1937, o Il Vittorioso – semanário de orientação católica, fundado por Luigi Gedda e dirigido por Nino Badano, que lançou artística e tematicamente as bases de uma nova escola do fumetto italiano –, contou desde o primeiro número com a preciosa colaboração de um jovem desenhador que começava, então, a dar os primeiros passos na difícil, mas apaixonante arte das histórias aos quadradinhos: Franco Caprioli. Mais tarde, devido ao sucesso que obteve, algumas das suas histórias foram publicadas à razão de duas, quatro, seis ou mesmo mais páginas por número. Tal não aconteceu com “L’Elefante Sacro”, porque em 1949 o Il Vittorioso tinha apenas oito páginas, publicando várias aventuras em cada número.

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Metade dessas páginas, impressas em offset, eram a quatro cores e, por opção editorial, destinavam-se em regra às histórias e aos desenhadores, como Caprioli, mais apreciados pelo público juvenil. A variedade de assuntos que preenchia a revista obrigava também a conceder menos espaço às histórias secundárias, que às vezes ocupavam apenas metade, um quarto ou dois terços das páginas.

Ao contrário do que era norma no Cavaleiro Andante e noutras revistas portuguesas — de figurino mais modesto, em tamanho e qualidade gráfica —, o Il Vittorioso dava apreciável destaque aos nomes dos seus colaboradores, tanto da parte artística como literária, chegando até a apresentar as suas biografias, o que permitia estabelecer um contacto mais próximo entre a redacção e os leitores.

Por causa do anonimato a que eram sujeitos nessa época, tanto em Portugal como noutros países europeus (a Inglaterra, por exemplo, onde os desenhadores nem sequer podiam assinar os seus trabalhos), tornou-se difícil para os  leitores mais curiosos descobrir a identidade de muitos artistas que não mereciam ser relegados ao esquecimento. Essa prática, sobretudo em relação aos desenhadores estrangeiros — Caprioli pode ser considerado uma das raras excepções —, foi um dos pontos mais negativos que distinguiram o Cavaleiro Andante do Il Vittorioso e de outras publicações juvenis suas congéneres.

No nº 22, de 29 de Maio de 1949, em que se iniciou a publicação de “L’Elefante Sacro”, o semanário italiano — de conteúdo controladovinheta elefante sacro 2 pelas instituições católicas que o editavam, mas sem um rigor excessivo — apresentava nas suas páginas de grande formato mais seis aventuras ilustradas por alguns dos seus melhores colaboradores artísticos: Gianni de Luca (L’Impero del sole), Sebas tiano Craveri (Avventure di Micio e Carboncino), Ruggero Giovannini (Bisonte Nero), Benito Jacovitti (Le babbucce di Allah), Renato Polese (Nella terra di nessuno) e Giulio Ferrari (Ombre e Luci).

Entre os argumentistas, todos eles de boa fibra literária, surgiam os nomes de Roudolph (pseudónimo de Raoul Traverso), Luigi Motta (que escreveu o roteiro de L’Elefante Sacro), B. Costa, Atamante e Eros Belloni.

Apenas duas dessas histórias (L’Impero del sole e Bisonte Nero) tiveram honras de estreia no Cavaleiro Andante, que privilegiava os desenhadores de estilo mais realista. Por isso, espanta-nos que uma obra-prima como Ombre e Luci, cujo tema de fundo é a trágica erupção do Vesúvio que devastou Pompeia, não tenha merecido figurar nas páginas do semanário juvenil português, onde as histórias de Giulio Ferrari foram também das mais apreciadas.

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